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pessoas trans binárias e não-binárias, negras e brancas. Ao ver cada participante que entrava na sala, eu e Zara ficávamos cada vez mais felizes ao encontrar a diversidade de corpos que ocupavam as cadeiras. Além das questões de gênero, raça e sexualidade, também havia corpos gordos e magros. Tanta gente linda e diferente junta só poderia render uma experiência incrível como que foi o minicurso.
Considerações feitas, vamos em direção ao que foi o minicurso. Eu, como professora, sempre que possível desfaço o arranjo de carteiras enfileiradas das salas de aula e o troco por um círculo. Penso que assim as pessoas ficam mais próximas, todas conseguem ver e ouvir umas às outras. Após o círculo feito e os participantes sentados, Zara e eu optamos por não nos apresentarmos de início, mas partir para uma dinâmica corporal. Zara os instruiu a levantar e andar pela sala mantendo contato visual para que pudessem de alguma forma se (re)conhecer; indicou o que deveriam fazer e de como deveriam se olhar ao caminhar.
Zara e eu finalmente nos apresentamos e nos usamos como exemplos deste quadro. A ideia era usar o nome como título, escolher o pronome preferido para completar e caso o pronome não estivesse na lista, a pessoa poderia adicionar um novo. Parte da escrita criativa é estar aberta a outras possibilidades linguísticas que podem ser não tão frequentes ou conhecidas. Após um tempo, tínhamos então aquele papel onde um descrevia o outro e também este quadro preenchido por cada participante sobre si mesmo. Com os dois em mãos, pedi que uma pessoa iniciasse lendo o que escreveu sobre a outra para então a outra ler o que escreveu sobre si mesma.
A atividade durou cerca de 3 minutos e depois cada pessoa voltou ao seu lugar.
Após isso, expliquei que dividiria a sala em 6 direções: Norte, Sul, Leste, Oeste, Centro e Continente. Pedi que cada um se direcionasse à região de Florianópolis de onde vinha e então os participantes puderam descobrir mais um pouco de cada um, pelo menos no quesito geográfico. O objetivo dessa atividade era apenas ter uma noção dos locais que cada um habitava. Eles retornaram aos lugares e então pedi que escrevessem uma breve descrição da pessoa que estava ao seu lado direito sem demarcar gênero. A intenção era não supor o gênero dos participantes envolvidos já que muitas pessoas LGBT+ não se identificam com o gênero que lhes foi imposto ao nascimento. A descrição poderia ser sobre qualquer coisa: sobre gostos, preferências, emoções, animais, idade etc, exceto suposições pejorativas. Após alguns minutos, pedi para que guardassem os papeis pois os leriam depois. Então, escrevi no quadro: