Contemporânea Contemporânea #9 | Seite 15

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Essa atividade aproximou todo mundo, pois agora, além do contato visual e de saber de onde cada um vinha, as pessoas descobriram outras informações sobre aqueles com quem dividiam a sala. Foi um momento de descontração e proximidade. Penso que para escrever crítica e criativamente é preciso criar um contexto de conforto e afinidade entre aqueles que ali estão.

Ainda, buscando criar um contexto menos mecânico, Zara e eu conduzimos uma atividade que chamamos de Linha do Tempo. Marcamos dois extremos da sala: um de menor faixa etária e outro de maior faixa etária. Expliquei que indicaria alguns momentos relacionados a vivências LGBT+ e que era para eles se posicionarem de acordo com a idade que lembraram daquela experiência. Os momentos foram:

Antes, eu tinha dito que para escrever crítica e criativamente era preciso criar um contexto de conforto e afinidade. Ainda defendo isso, mas dentre os relatos de abuso, de violências, de adversidades e desconforto isso também é possível e necessário. Ninguém estava cutucando suas dores para sofrer mais, mas sim para avançar, se fortalecer e florescer.

A última atividade se chama Saco de Palavras. Dividimos os participantes em duplas, entregamos folhas sulfite e pedimos para que escrevessem de 10 a 15 palavras aleatórias no papel. Trocamos as folhas entre as duplas e cada uma precisava escrever um texto usando as palavras do material que receberam. O gênero textual era de livre escolha. Apenas um parágrafo, crônicas, poemas, contos, ou qualquer outro gênero era permitido. Quando todas as duplas tinham terminado, cada uma leu seu texto em voz alta. Como 3 pessoas tiveram que sair antes do fim da oficina, 6 textos foram produzidos. Abaixo seguem três exemplos das palavras e produções que digitei a partir de fotos tiradas dos textos escritos durante a oficina:

Texto 2

* Um momento que senti raiva;

* Um momento que me orgulhei;

* Um momento que me vinguei;

* Um momento que chorei;

* Um momento que algo inesperado aconteceu;

* Um momento que fiquei feliz.

Zara e eu finalmente nos apresentamos

Como a sala tinha sido dividida em dois extremos, os participantes ficaram de costas um para outro. Indicávamos o momento e depois de posicionados pedíamos se alguém estava disposto a dividir o que estava pensando. Sem estarem se encarando diretamente, eles ficavam mais confortáveis para dividir o que se lembravam. Esta atividade foi muito triste e muito feliz porque ao longo dela algumas pessoas falaram sobre experiências positivas e outras negativas. Em vários momentos pessoas choraram, em outros riram. Em alguns, se abraçaram, em outros, esqueciam-se que estavam de costas e passavam a dividir suas vivências sem medo, olhando diretamente para os outros envolvidos. Antes, eu tinha dito que para escrever crítica e criativamente era preciso criar um contexto de conforto e afinidade. Ainda defendo isso, mas dentre os relatos de abuso, de violências, de adversidades e desconforto isso também é possível e necessário. Ninguém estava cutucando suas dores para sofrer mais, mas sim para avançar, se fortalecer e florescer.

Haddad - Tijolo - Costela - Espiral - Aranha - Samambaia - Café - Rita Lee - Sintomático - Porta - Gozei - Bateu - Fio - Caçar - Verde

Zara e eu finalmente nos apresentamos

Haddad saiu pela porta comendo costela, quando a oposição lhe acertou com um tijolo, ele vê uma aranha e dá um passo para trás desviando do tijolo e corre. No caminho ele bateu com um poste e logo em seguida ele encontra com Rita Lee que o convida para caçar. Eles utilizam um fio com café espiral para pegar samambaias verdes. No final da tarde os dois voltam para a casa de Haddad e após um dia sintomático... (suspiro) GOZEI! Haddad acorda, são 7:30 da manhã e hora de trabalhar.