Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 2 | Page 397
escolhe o movimento de descida, numa espécie de metáfora em relação ao seu “deixar levar-se”, indiferente a tudo, durante a viagem.
Um dos pontos altos desta última estrofe está na revelação final
em relação ao destino da viagem: chegar ao túmulo da filha e lá colocar flores silvestres. A expressão en fleur finaliza o poema, sugerindo uma imagem poética da homenagem, que ele, o poeta, que é a
instância responsável pela enunciação, isto é, o próprio enunciador
faz à interlocutora no seu poema, explicitamente marcada pelos
pronomes em segunda pessoa do singular: tu, toi, ta.
O verbo attendre (esperar), no segundo verso, indicando estado e
não processo certo de acontecer, pois a filha está morta, se articula
semanticamente com as ações expressas no penúltimo verso et,
quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe, numa relação posta assim,
implicitamente: tu podes me esperar, pois eu chegarei e colocarei
flores sobre teu túmulo.
Este poema se constitui numa ampla modalização pragmática,
mostrando, o tempo todo, as facetas de responsabilidade do personagem-autor-poeta em relação aos processos de que ele é agente,
indicando sobretudo suas intenções (seu querer-fazer), suas razões
(seu dever-fazer) e suas capacidades de ação (seu poder-fazer).
Em síntese, o texto em estudo é não polifônico, mostra uma
fusão da voz do poeta, com a voz de Victor Hugo pai de uma filha
morta e do narrador que conta, numa perspectiva de futuro, a viagem que fará para visitar o túmulo desta filha. Portanto, o emprego
do “eu” é marcador de identidade, representa um narrador uníssono, com um mesmo tom melancólico e introspectivo, assumindo
o seu personagem de pai, de poeta, de homem profundamente sofrido, numa só pessoa. Vejamos o oitavo verso: triste, et le jour pour
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