Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 2 | Page 396

para seus pensamentos), sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit (sem nada ver a meu redor, sem ouvir barulho algum). Ele seguirá sem observar nada au dehors, isto é, fora do que não seja o seu próprio interior. A voz do poeta, que está muitas vezes indicada pelos verbos flexionados na primeira pessoa do singular e pelos pronomes, também na primeira pessoa do singular, no sexto verso, aparece neutralizada, no entanto marcada implicitamente pelos verbos na forma do infinitivo: voir e entendre. Fica subententido que as ações expressas são atribuídas pragmaticamente ao poeta, por sua própria voz. Ainda, na segunda estrofe, nos chama a atenção a forma como o enunciador apresenta o retrato de sua própria tristeza (a partir do qualificador “triste”, no oitavo verso): seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées (só, desconhecido ou seja no anonimato), as costas curvadas, as mãos cruzadas). Na terceira e última estrofe, através da estrutura negativa das frases je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe, (eu não observarei nem o doirado do entardecer, ou do cair do dia cai), ni les voiles au loin descendant vers Harfleur (nem as velas dos barcos descendo em direção a Harfleur), Victor Hugo se nega - je ne... ni - a apreciar a beleza da paisagem dada a melancolia que inunda sua alma. É como se aquela beleza não conseguisse trazer de volta a alegria de viver, de acompanhar, com todos os sentidos, o que está ao seu redor. O poeta, com sua voz registrada em primeira pessoa, pelo pronome je, retira do seu interior a poesia que está no exterior e que compõe a paisagem. Ao usar o verbo no particípio presente “descendant”, referindose aos barcos, aí metonimicamente representados pelas velas, ele 382 Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas