Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Página 99
nero materializado seja o fator definidor da maior ou menor dificuldade que a leitura ou escrita de um texto ofereça ao indivíduo. O
ato de ler um poema, numa dada situação, pode ser visto como algo
prazeroso e sem maiores entraves por um determinado leitor, ao
passo que ler o mesmo poema, tomado como objeto de análise para
a escrita de um ensaio, por exemplo, pode levar o leitor/escrevente a
dificuldades não antes vivenciadas. A pretensa dificuldade, portanto, não se restringe à natureza do texto, e sim envolve o conjunto de
fatores que integram a situação de leitura ou de escrita.
Outro aspecto a ser sublinhado com base na tabulação das respostas obtidas diz respeito ao fato de que, para os estudantes da
pesquisa, a ação de escrever – sejam textos acadêmicos, sejam outros textos –, aparece mais vezes relacionada, nas tabelas 3 e 4, em
comparação aos dados das tabelas 1 e 2, a fatores que marcam as dificuldades encontradas pelos estudantes.
Sobre isso, duas hipóteses merecem ser consideradas: a primeira, inclusive amparada por respostas sistematizadas na tabela 3,
alude à concepção de que saber escrever é um “dom”; em consequência, algo já dado, ou seja, algo com que se nasce ou não. A segunda remete a uma representação da escrita como “um fenômeno
de transcrição do pensamento”, envolvendo uma relação harmônica, direta e transparente, entre pensamento e escrita. Estudos como
os de Reuter (1998) e Delcambre e Reuter (2002), dentre outros,
comprovam a força dessa representação no discurso dos estudantes
universitários. Em qualquer das duas situações, está-se tomando a
escrita como algo que parece não implicar um trabalho do escrevente, na medida em que seus requisitos seriam, inclusive, anteriores
ao próprio ato da escrita: possuir o dom e/ou o saber sobre algo, isto
Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas
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