Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Seite 91
uso da escrita e da leitura (Street, 2003; Kleiman, 1995), reguladas
por injunções sociais, culturais e históricas, em cuja atualização os
discursos são postos em funcionamento. Desse modo, entende-se
que o letramento varia em função do sistema de referências culturais, ideológicas e materiais que o tipifica e condiciona. À luz desse
quadro, as práticas de letramento acadêmico são concebidas como
espaço de produção, circulação e recepção de discursos, gerados na
interação entre os estudantes, os professores e as demais vozes com
as quais estes interagem.
No processo de letramento acadêmico, algumas dificuldades parecem ser recorrentes entre os alunos, seja na leitura, seja na escrita, conforme têm demonstrado diferentes estudos (Assis, 2014a; Assis; Boch; Rinck, 2012; Delcambre; Lahanier-Reuter, 2011;
Grossmann; Boch, 2002; Reuter, 1998, dentre outros). Dentre elas
destacamos, por exemplo, com base nos estudos citados: a assunção
de uma postura de autor (ethos científico); o gerenciamento de vozes (articulação entre/com os discursos de outrem); o uso de normas técnicas; a atividade de sumarização; a identificação das estratégias responsáveis, no texto acadêmico, pela construção de
legitimidade do que é dito.
Defendemos que as representações dos estudantes sobre a esfera acadêmica, suas práticas e os gêneros do discurso que nelas
emergem concorrem para essas dificuldades, razão pela qual temos
feito a aposta de que a teoria das representações sociais (Moscovici,
1961, 2003; Abric, 1986, dentre outros) pode ajudar a flagrar e a compreender alguns nós do processo de ensino e aprendizagem em
foco, principalmente porque, com frequência, ele é marcado pelo
confronto – embora nem sempre de forma explícita – entre saberes
Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas
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