Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Page 90

e sociais do espaço de formação do ensino superior, o que se concebe contrariamente à ideia de que as competências para a leitura e a escrita, quaisquer sejam seus usos, estariam já plenamente adquiridas pelos estudantes quando estes chegam aos estudos superiores, conforme criticam Dabène e Reuter (1986). Assim, ainda que se admita que muitos estudantes terminem a educação básica com lacunas e/ou deficiências em sua formação para a leitura e a escrita, é preciso ter em conta que grande parte das dificuldades por eles enfrentadas ao ingressarem no ensino superior e, muitas vezes, ao longo de toda a trajetória na universidade, são inerentes à etapa de formação em que se inserem. A aposta que se faz, portanto, é que está em jogo a compreensão, por parte dos estudantes do ensino superior, dos processos interacionais, dos papéis comunicativos, das estratégias e recursos por meio dos quais se dá materialidade a um projeto de ação linguageira na esfera acadêmica, o que demanda a vivência – e a reflexã o sobre essa vivência – dos sujeitos nesse espaço social da atividade humana. Assim, em coro com Matencio (2008, p. 555), entende-se que as competências em questão pressupõem habilidades construídas “pelo sujeito como esquemas de ação e modelos estáveis de representação mental, à luz de padrões interacionais também estabilizados”. Isso significa assumir, em consonância com as bases epistemológicas do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), que o processo de ensino e de aprendizagem da leitura e da escrita acadêmicas deve ser vivenciado tomando-se textos empíricos como produtos da atividade de linguagem em funcionamento nas esferas de troca social. Considerado esse ponto de vista, este trabalho ampara-se na concepção de letramento como práticas sociais fundadas no (e pelo) 74 Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas