Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Página 737

trabalho que se deu na Europa pode também ser observado no contexto brasileiro. Desde o princípio dos anos 2000, diversos estudos desenvolvidos pelo grupo ALTER (ABREU-TARDELLI, 2006; LOUSADA, 2006, 2011, BUENO, 2007, MACHADO e LOUSADA, 2010, MUNIZ-OLIVEIRA, 2011; BARRICELLI, 2012) vêm discutindo o trabalho educacional sob a ótica de algumas ciências do trabalho, destacando-se, dentre elas, as contribuições da Clínica da Atividade (CLOT, 1999, 2001, 2008), sobre o trabalho de modo geral, e da Ergonomia da Atividade dos Profissionais da Educação (FAÏTA, 2004; SAUJAT, 2004; AMIGUES, 2003, 2004). Uma das grandes contribuições da ergonomia à didática das línguas é a distinção entre trabalho prescrito, compreendido como a coerção social que pesa sobre o agir do trabalhador, e o trabalho real, ou seja, os meios encontrados para agir, viver e encontrar prazer na situação de trabalho (WISNER, apud CLOT, 2010). Se enxergarmos o trabalho do professor por esse ângulo, perceberemos que se trata de uma visão completamente incompatível com a visão hegemônica de certo momento da didática das línguas, em que o professor era tido como mero “aplicador” de técnicas e métodos elaborados no campo acadêmico. Ao contrário, do ponto de vista da ergonomia, a distância entre o que se espera do trabalhador e o que é efetivamente realizado é consubstancial à atividade de trabalho e, muitas vezes, pode ser o espaço de um desenvolvimento pleno do trabalhador. Conforme explica Guérin: A atividade de trabalho é uma estratégia de adaptação à situação real de trabalho, objeto da prescrição. A distância entre o prescrito e o real é a manifestação concreta da contradição sem- Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas 721