Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Seite 465
d) Em minha graduação em Direito [...], tive excelentes professores, mas a maioria deles centrava seu método de ensino na exposição de conteúdos. Eram horas e mais horas de aula expositiva, em que o papel do aluno resumia-se a anotar informações
e a manter-se atento. Com minha inserção nas oficinas, descortinou-se, para mim, um universo de possibilidades, pois
percebi que as longas exposições doutrinárias poderiam ser
substituídas por diálogo entre aluno e professor, por trabalho
em grupo, parcerias, sem perder a qualidade de ensino; ao
contrário, com benefícios para ambas as partes. (M-D-2014)
Puxando pelo fio da memória, o discurso da ex-monitora, já na
condição de profissional, é tecido a partir de concepções disseminadas sobre aula e ensino de língua. Algumas dessas representações
nos permitem retomar crenças provavelmente construídas na experiência escolar, cujas vozes traduzem modos de didatização que
ainda parecem desfrutar de prestígio na academia. Trata-se de sistemas de valores, de modos de pensar bastante hegemônicos e que
são trazidos pelo sujeito enunciador tanto para questionar práticas
monologadas e pouco produtivas, como para sustentar seu posicionamento identitário em oposição a esses sistemas de pensamento.
De modo a retomar a epígrafe, avaliamos que, assim como as
práticas de estágio supervisionado, as oficinas se apresentam como
espaço por excelência de constituição do futuro profissional docente. A experiência com gêneros do domínio acadêmico permite ao
aluno-oficineiro, futuro profissional do texto, vivenciar situações de
ensino e aprendizagem em função de múltiplas experiências com
práticas discursivas. Ao mesmo tempo em que planeja, organiza,
Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas
449