Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Seite 463

sunção de um novo papel: o de monitor-oficineiro, responsável por planejar, elaborar e intervir como “professor” de colegas de curso. Esse processo de idas e vindas permite compreender os efeitos das representações sociais nos processos de constituição da referenciação do próprio eu. Conforme Py (2000), são duas as dimensões constitutivas das RS: a representação de referência (RR) e a representação de uso (RU). Para o autor, as representações de referência (RR) encontram-se na memória discursiva de um determinado grupo, sendo construídas e reconhecidas pelos membros desse grupo, fazendo parte do núcleo central. Constituídas de “crenças reconhecidas pelo conjunto dos membros de um grupo”, as RR pautam-se pela estabilidade, pela fixidez (Py, 2000, p. 8-9). Em um plano mais periférico, as representações de uso (RU) constituem-se no processo de interação social, em nível individual, particular, por isso seu caráter instável, mutável. Em falas apreendidas no decurso das reuniões e na seção destinada à avaliação do trabalho desenvolvido, nos relatórios, podemos perceber esse embate entre as RR, que funcionam como uma “espécie de repertório comum aos participantes de um dado grupo [...], tendendo a uma relativa estabilidade” (Matencio e Ribeiro, 2009, p. 3), e as RU que, elaboradas pela ação individual, expressam a singularidade de um eu na interação com os outros. Nesse jogo de reorganização da própria identidade do sujeito, não mais somente na condição de ser estudante, mas no enfrentamento de um entrelugar em que se constitui ora como aluno e ora como profissional em processo, é possível entrever uma relação conflituosa entre esses papéis e suas representações, no que se refere às capacidades de leitura e escrita dos colegas matriculados nas oficinas e às atitudes Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas 447