Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Page 399
interpretar o real, o que implica as possibilidades não realizadas,
impedidas pela situação. Nesse procedimento metodológico de autoconfrontação a multiplicidade de fios dialógicos vão além da interação face a face com a mediadora, mas se realiza pelo intercâmbio
de enunciados anteriores (internamente persuasivos como os da
professora mediadora no curso de formação; autoritários, como os
das prescrições oficiais para o PIP) e posteriores, ao tomar distanciamento da interação e antecipar julgamentos e avaliações externas sobre o seu agir (BAKHTIN, 1929/2005). Na autoconfrontação,
ela vai sedimentando a sua capacidade de autoavaliação, gesto de
autorregulação do agir que implica a mobilização de atos reflexivos
mediada pelo formador.
Ao problematizar, nas autoconfrontações o sentido dos gestos, a
profa. deixa entrever pontos de tensão entre as prescrições oficiais, o
trabalho planejado no projeto PIP e as suas representações sobre o real
da atividade. A mediadora localiza zonas de tensão e tenta coordenar
diálogos para fazer com que essa tensão faça emergir zonas potenciais
de desenvolvimento: da professora consigo mesma, com a mediadora e
com os enunciados de outrem, em outros tempos e espaços. A mediadora se esforça para provocar nesses diálogos a emergência de posicionamentos conflitantes: por um lado, sobre o trabalho com projetos didáticos (cf. prescritos no discurso oficial); sobre a transposição didática
de práticas sociais de referência e sobre alguns conceitos da teoria da
enunciação bakhtiniana (cf. os cursos específicos do PDE); por outro
lado, os posicionamentos sobre os gêneros como megainstrumentos
para o desenvolvimento de capacidades de linguagem (cf. Schneuwly e
Dolz, 2009) e, ainda, os saberes experienciais da própria professora,
suas crenças, sua história de vida; os posicionamentos dos alunos que
Investigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas
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