Congresos y Jornadas Didáctica de las Lenguas y las Literaturas - 1 | Page 381
Em suas reflexões sobre as condições de emergência da consciência, Vygotsky sustentava que a questão do desenvolvimento devia ser posta simultaneamente em termos de continuidade e ruptura, ou seja, na passagem do externo para o interno em que emerge a
contradição, a tensão, o conflito com aquilo que constitui uma organização psíquica anterior. Entretanto, como enfatiza Bronckart
(2013), os aportes externos são geradores de desenvolvimento apenas na medida em que os conflitos que eles geram sejam “gerenciáveis” pela pessoa em seu estado atual de desenvolvimento. Assim, o
“desenvolvimento do poder de agir” a que se referem Clot e Faita
(2000) implica para o formador de profissionais “a identificação
dessa “zona potencia” de eficácia, a porta que se abre para que o formador proponha os elementos que lhe parecem exploráveis.
A questão fundamental para as minhas reflexões é a de que, se
em Vygotsky temos que o desenvolvimento procede da apropriação
e da interiorização da linguagem, se pensarmos no contexto de intervenção formativa de adultos (onde se dão as minhas intervenções formativas), a linguagem em situação de trabalho profissional assume o papel primordial na tomada de consciência do profissional sobre si, sobre o seu próprio agir, sobre o agir do seu
aluno, o que culminaria com a ressignificação das suas ações e o redimensionamento da sua aula.
Tenho encontrado contribuições relevantes para o enfrentamento
dessas questões a partir dos estudos que concebem o trabalho educacional como integrante de um gênero de atividade (SAUJAT, 2004; FAITA, 2004), nas investigações baseadas nos trabalhos de Clot e Faita
(2000), nas investigações dos pesquisadores fundamentadas nos aportes do interacionismo sociodiscursivo (BRONCKART, 2008) e nas inInvestigación y Práctica en Didáctica de las Lenguas
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