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Buscamos discutir na primeira edição, os lugares sociais construídos para
gays, lésbicas, travestis e transexuais dentro do ambiente universitário. Na
segunda edição discutimos a construção da invisibilidade e opressão de de-
terminados grupos de trabalhadores dentro da instituição, especialmente
os terceirizados e os técnicos administrativos, diante de um contexto que
sobrevaloriza a carreira de professor/a como atividade fim da instituição.
Nos orientamos, portanto, por questões como: Quem são os considerados
diferentes dentro da instituição? Quem são os sujeitos a partir dos quais se
constroem os diferentes? Existe democracia de direitos dentro do ambiente
escolar? Quem são os transformados em invisíveis e silenciados? Como a
instituição lida com a diversidade: reconhece as suas desigualdades ou re-
pete o discurso romântico da diversidade?
A partir do debate entre convidados/as e membros da comunidade escolar fina-
lizo essa reflexão destacando que somos uma sociedade marcada pela multipli-
cidade de experiências e modos de existir, que ao longo do seu processo cultural
e histórico foi construindo algumas destas formas de existir como diferentes,
compondo o que chamamos de diversidade, e que nunca é demasiado repetir:
“Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos
o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a
necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença
que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades” (Boaventura de Sousa
Santos, Reconhecer para libertar: os caminhos do cosmopolitismo multicultural).
Assim, dentro da perspectiva da diversidade, o que se busca como horizonte polí-
tico é a igualdade de direitos, a partir da heterogeneidade de experiências sociais.
Paulo Roberto da Silva Junior
Graduado, Mestre e Doutor em Psicologia pela UFMG
Professor Substituto CEFET-MG / Professor na Faculdade Arnaldo/ BH
Concepção conceitual, diversidade sexual e discriminação no
contexto escolar: o que você tem a ver com isso?
Trabalho e relações humanas: como construir um ambiente de trabalho
baseado no respeito e na valorização de todos os trabalhadores?
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