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O Ciência, café e cultura foi, sem dúvida alguma, o projeto que mais me ajudou no desenvolvimento da minha formação, tanto como sujeito quanto como cidadão. Isso tudo durante minha adolescência, o período mais impor- tante acerca da construção de valores. Como homem branco, tive contato com discussões que davam lugar de fala a mulheres negras que tinham muito mais a dizer do que um dia eu poderia imaginar em saber sozinho. Como pessoa que vive em um sistema urbano, tive contato com discussões ricas sobre sustentabilidade, que contavam com desde doutores em planeja- mento urbano e ativistas do Greenpeace, até catadores de latinha. Como ocidental, carregado de tradições preconceituosas, tive contato com roda de conversa sobre terrorismo, que trouxe integrantes da Cruz Vermelha, representante da religião da Islâmica em Minas Gerais e especialistas em Direitos Humanos como debatedores. Como integrante privilegiado de um sistema social injusto, tive contato com projetos como o Lá da Favelinha, que tinha o intuito de investir em jovens de periferia por meio de conhecimento, arte e cultura, invertendo um mecanis- mo falho e injusto em um poço de virtude. Participei de muitos outros eventos e projetos, e digo, com tranquilidade, que todos foram aulas práticas de humanidade, ciência e alteridade. Enfim, o que tenho a dizer sobre o projeto Ciência, café e cultura, mesmo que eu pudesse escrever um livro sobre, é pouco, pois este projeto promove a ampliação de horizontes, e isso não cabe em nenhum discurso, mas somente na prática participativa. Pedro Casanova Ex-aluno do Curso Técnico em Mecânica CEFET-MG Frequentador dos debates do projeto Ciência, café e cultura (2014, 2015, 2016) 82