A entrada da mulher no mercado de trabalho foi um fator
de peso para reduzir a taxa de natalidade pois a gravidez
era um empecilho para obter ou manter um emprego.
Mas não era somente a destreza das mãos femininas ou
suas curvas que as conduziam a ocupar lugar numericamente tão destacado em certas indústrias. O determinante
era o fato dos salários das mulheres serem, em média, inferiores à metade daqueles dos trabalhadores masculinos, o
que permitia um crescimento significativo da taxa de lucro
do capital. Hoje esta situação mudou, mas as mulheres,
segundo a ONU, continuam recebendo, em média, menos
30% que os homens para o mesmo trabalho, com o mesmo
nível de educação.
Assim, à primeira vista, era o “trabalho feminino” que
determinava a queda da taxa de natalidade, mas, olhando
melhor, o que estava por trás era (e continua sendo) o interesse do capital em aumentar sua taxa de lucro. Um estudioso destes assuntos diz que antes do final deste século as
mulheres constituirão a maioria dos trabalhadores.11 Se
elas não lutarem muito por direitos iguais pode ser que
nem em 2100 consigam ganhar o mesmo que os homens
em igualdade de condições.
Alguns autores destacam a influência dos anticoncepcionais na queda da taxa de natalidade. Desde
há muito se buscava meios para evitar uma gravidez
indesejada. Dentre eles os mais difundidos eram o
11 Domenico de Masi em entrevista no programa “Roda Viva”, TVEducativa,
de São Paulo, em 21/01/2013.
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Capitalismo e população mundial