Capitalismo e população mundial | Page 38

Na França, Louis Pasteur cria, em 1878, a vacina contra o cólera, isola o estafilococo; em 1879, o estreptococo, e inventa a pasteurização, fator decisivo na conservação do leite.
Os trabalhos de Pasteur revolucionam o diagnóstico e o prognóstico de doenças contagiosas e são decisivos para convencer a humanidade de que certas doenças eram produto de germes encontrados na natureza e não da vontade dos deuses.
A influência das elites no desenvolvimento de vacinas não se limita aos séculos precedentes. Diz Joseph Stiglitz, professor da Universidade de Columbia, N. Y. USA, Prêmio Nobel de Economia:“ Onde o setor privado tem papel essencial – criação de vacinas – há pouco incentivo para ele investir em doenças que afligem os pobres ou países pobres. Apenas quando os países avançados são ameaçados há ímpeto suficiente para investir em vacinas para enfermidades como o ebola. Isto não chega a ser uma crítica ao setor privado; afinal, os laboratórios não estão no negócio pela bondade de seu coração, e não há perspectiva de lucro na prevenção ou cura de doenças de pobres. O que a crise do ebola coloca em questão é nossa dependência do setor privado para fazer o que os governos fazem melhor. Com mais investimentos do setor público, uma vacina contra o ebola poderia ter sido criada há anos”. 10 E, dizemos nós, evitada a morte de milhares de africanos. Com os fatores apontados anteriormente, somados às primeiras medidas de saneamento básico, à melhoria da
10 O Globo, 15 / 11 / 14.
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