Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Seite 553
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Resumo Individual da Mesa-Redonda #3
A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUAS QUESTÕES POLÍTICAS, PEDAGÓGICAS E
SOCIOCULTURAIS
Mirlana Emanuele Portilho Rodrigues
mirlanaportilho@hotmail.com
Licenciada em Ciências Biológicas
Universidade Federal do Maranhão - UFMA
RESUMO: A Educação Ambiental (EA) vem sendo incorporada por um amplo conjunto de
práticas educativas, tentando compreender para além do natural, um espaço de relações
socioambientais influenciado por diferentes demandas políticas, pedagógicas e socioculturais.
Na literatura da área, são destacadas algumas abordagens sobre as relações entre sociedade e
ambiente, as quais enfatizam diferentes visões, dentre estas: a de ambiente natural (referente à
natureza); artificial (formada pelas estruturas construídas pelo homem); social (composta por
aspectos culturais, religiosos, étnicos e éticos); de trabalho (configurada por relações de
trabalho e produção). Nesse âmbito, é valido ressaltar que o próprio termo “meio ambiente”
não pode ser visto com um conceito imutável, e sim como uma visão que varia de acordo com
os agrupamentos sociais. Nesse sentindo, o tratamento da EA nos espaços educativos não deve
ficar restrito à ênfase em um visão considerada mais tradicional de natureza, mas precisa ser
estendido às questões socioculturais, podendo retificar a importância de modelos político-
pedagógicos que estabeleçam relações com a mudança social. Assim, a presente palestra busca
trazer à tona que a EA corresponde a uma prática educativa que está interligada a realidade
social, imersa nessa conjuntura, transitando pelo campo das orientações político-pedagógicas,
em duas vertentes que podem aparecer sobrepostas ou combinadas nas práticas ambientais: EA
comportamental e EA popular. A EA comportamental tem como desafio as mudanças de
comportamentos em relação ao meio ambiente pelo processo educativo. Em sua matriz teórica,
relaciona a razão com a construção de valores; nessa vertente o grupo prioritário é constituído
pelas crianças, pois supõe-se que a formação de comportamentos seja internalizada de forma
mais proveitosa nessa fase do desenvolvimento cognitivo, sendo diferente quando aplicada aos
adultos, pois estes já possuem comportamentos e hábitos definidos e maior resistência à
transformação de suas relações socioambientais. A EA popular compreende a um processo
educativo como ato político de formação cidadã a partir da prática social, ou seja, se ocupa dos
processos de formação de sujeitos críticos frente às questões socioambientais. As pessoas que
constituem o público-alvo dessa vertente são sujeitos que possuem uma carga histórica e
cultural determinada por ações políticas específicas, as quais influenciam na construção de seus
valores. Esta corrente propõe transformações sociais a partir da construção de valores
libertários, democráticos e solidários. Perante as contribuições dessas diferentes perspectivas,
é importante destacar que a EA, para além do mero enfoque naturalista de caráter físico,
químico e biológico, possui íntima relação com os grupos sociais, pois os saberes sociais são
construídos pelas culturas às quais essas pessoas estabelecem relações de pertencimento e
perpassam as experiências vividas em seus contextos socioculturais.
Palavras-chave: Educação Ambiental. Práticas educativas. Práticas socioculturais. Formação
cidadã.