Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Página 531
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Resumo Individual da Mesa-Redonda #2
IMAGINÁRIOS FRONTEIRIÇOS: ESPAÇOS DE DESCOLONIZAÇÃO DO
PENSAMENTO E DO PODER
Danielle Ferreira Costa
danielle.costa@ifma.edu.br
UFRGS/IFMA
RESUMO: Esta pesquisa visa engendrar um diálogo entre a teoria decolonial e as narrativas
literárias latino-americanas que objetivaram em suas representações uma imaginação
descolonizada. Dentre tais narrativas podemos citar os romances regionalistas brasileiros, que
buscaram representar de forma realista todas as especificidades e contradições do seu lugar de
enunciação, e as produções hispano-americanas que buscaram no realismo mágico uma saída
poética para o realismo. Objetiva-se discutir de que maneira tais narrativas rompem com os nós
histórico-estruturais, articulados através da diferença entre colonial e o pensamento imperial. O
que o semiólogo argentino Walter Mignolo denominou de hierarquias eurocêntricas:
racial/étnica global, na qual os europeus são privilegiados; gênero/sexo global, na qual os
homens e o patriarcado europeu assumem o lugar central; espiritual/religiosa, na qual as
espiritualidades cristãs foram institucionalizada em um projeto global; estética, na qual, através
das suas instituições, o pensamento europeu estabelece as normas do belo e do sublime;
epistêmica, na qual o conhecimento e a cosmologia ocidentais foram institucionalizados no
sistema universitário global; linguística, na qual as línguas europeias são privilegiadas na
comunicação e na produção do conhecimento teórico, relegando as línguas não europeias o
papel de apenas produtoras de folclore ou cultura. Além disso, almeja-se problematizar se essas
narrativas negam o pensamento imperialista que difundiu uma "concepção particular do “sujeito
moderno”, uma ideia do homem, introduzida no Renascimento europeu, [que ]se tornou o
modelo para o humano e para a humanidade, e o ponto de referência para a classificação racial
e o racismo global" (Quijano, 2000; Wynter, 2001 apud MIGNOLO, 2017, p. 11-12). Por fim,
ao mapear todas essas possíveis rupturas com as hierarquias imperialistas, discute-se se as
narrativas literárias produzidas na América Latina, desde da primeira metade do século XX, de
fato desenvolvem uma imaginação descolonizada, ao assumirem o que Mignolo define como
“pensamento fronteiriço”, ou seja, “o espaço de onde o pensamento foi negado pelo pensamento
da modernidade, de esquerda ou de direita" (MIGNOLO apud BALLESTRIN, 2013, p. 106),
descolonizando a teoria e, consequentemente, descolonizando o próprio poder.
Palavras-chave: Teoria Decolonial. Narrativas latino-americanas. Alteridade.