Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 530

Página | 530 Resumo Individual da Mesa-Redonda #1 A PERFORMANCE COMO ESPAÇO DE DECOLONIZAÇÃO DO CONHECIMENTO: UMA ANÁLISE DE“PLANTATION MEMORIES”, DE GRADA KILOMBA Cláudia Letícia Moraes claudiamoraes27@gmail.com UNB/UFMA RESUMO: O presente artigo pretende problematizar a performance da artista interdisciplinar de origem portuguesa Grada Kilomba, denominada “Plantation Memories: Episodes of Everyday Racism”. Esta performance foi montada e apresentada inicialmente na Alemanha, sendo também levada para outros países da Europa e, finalmente, para o Brasil, e se propõe a analisar as possíveis relações entre a herança da escravidão como instituição e como isso se reflete nos modos de subjetividade das pessoas negras que envolvem, no ato performático concebido pela artista, “actos vitales de transferencia, transmitiendo el saber social, la memoria y el sentido de identidad a partir de acciones reiteradas” (TAYLOR, 2016, p. 11). Assim, conforme indica o título, a apresentação aborda vivências de episódios cotidianos de racismo estruturado socialmente, tendo como enfoques principais a corporeidade da performance como possibilidade de decolonização do conhecimento, proporcionando uma análise mais apurada das relações entre racismo, vivência cotidiana e formas de resistência que perpassam e conformam essas subjetividades (HARTMAN, 1997). A discussão visa considerar algumas perguntas norteadoras sobre o nosso presente racial e nossa produção de saberes a partir de questionamentos feitos pela própria Kilomba (2016), tais como: O que é conhecimento? Quem é autorizado a ter conhecimento? Que conhecimento tem sido parte das agendas acadêmicas? Quem pode ensinar esse conhecimento? Quem habita a academia? Quem está às margens? E, finalmente: quem pode falar? Para responder ao questionamento será proposto um diálogo com a performance da artista, que traz em seu cerne colocações sobre o racismo que estrutura as sociedades diaspóricas, observando os seguintes pontos: Quais são as formas de racismo? Onde se localizam? De que forma a performance pode ser uma resposta? Que tipo de resposta é adequada para o contexto racial já descrito? A partir disso pretende-se pensar a performance como espaço híbrido que agrega vivências diversas e permite à artista produzir um trabalho que privilegia a problematização dos conceitos de conhecimento e ciência como intrinsecamente relacionados ao poder e à autoridade racial, realizando por meio da corporeidade performática uma resposta ao racismo que, em última instância, seria também uma produção de contra-poder para questionar o poder estabelecido pelas relações raciais: escravidão, racismo, branquitude, são todos pontos que passam a ser questionados e, portanto, deslocados de seu lugar habitual de privilégio. Nesse caso, a performance aqui citada é uma possibilidade de repensar as questões raciais e, portanto, buscar uma resposta para o problema do racismo estrutural, tão arraigado e complexo nas sutilezas em que se manifesta diariamente. Será utilizado como referencial, além da própria Grada Kilomba (2010), autores como Achille Mbembe (2016), Christina Sharp (2018), Silvia Federici (2017) e Diana Taylor (2016) buscando entender de que modo conceitos como necropolítica, epistemicído, performance e subjetividade operam para compreender como se delineia o racismo cotidiano com o qual nos confrontamos. Palavras-chave: Decolonização do conhecimento. Performance. Interdisciplinaridade. Alteridade.