Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 529

Página | 529 Resumo da Mesa-Redonda ESPAÇOS “DESCONTÍNUOS” DE DESCOLONIZAÇÃO DO PENSAMENTO: EPISTEMES, PERFOMANCES E REVISÕES Cláudia Letícia Gonçalves Moraes claudiamoraes27@gmail.com UNB/UFMA Danielle Ferreira Costa danielle.costa@ifma.edu.br UFRGS/IFMA Natália Regina Rocha Serpa nataliaserpa@ifma.edu.br FURG/IFMA RESUMO: Para Walter Mignolo, o problema da teoria de Edward Said, Gayatri Spivak e Hommi Bhabba reside no fato de estarem "entre a teoria crítica da Europa (Foucault, Lacan y Derrida), sobre cujo pensamento se construiu a teoria pós-colonial e/ou estudos pós-coloniais, e as experiências da elite intelectual nas ex-colônias inglesas na Ásia e África do Norte" (MIGNOLO apud BALLESTRIN, 2013, p. 108). A pertinência dessa constatação gera a reflexão que norteia esta mesa: discutir as contribuições das teorias pós-coloniais para o estudo das literaturas nacionais periféricas ou para a literatura contemporânea de modo geral. Assim, colocando em relevo aportes de Grada Kilomba, Walter Mignolo e Achille Mbembe para os estudos literários, espera-se problematizar até que ponto tais críticas rompem com a estrutura opressora do tripé do colonialismo do poder, saber e ser, fornecendo novos horizontes utópicos e radicais para o pensamento da libertação humana. Ou ainda, se é possível pensar uma ruptura como um horizonte utópico possível para os teóricos do pós-colonialismo, ainda atrelados ao pensamento eurocêntrico. Para tanto, elencam-se três pontos de observação distintos da crítica literária contemporânea, a saber: a europeia, a latino-americana e a africana. Na perspectiva europeia, será problematizada a performance como espaço de decolonização do conhecimento, em uma análise de “Plantation Memories”, de Grada Kilomba. Nesta abordagem, pensa-se a performance como espaço híbrido que agrega vivências diversas e permite à artista produzir um trabalho que privilegia a problematização dos conceitos de conhecimento e ciência como intrinsecamente relacionados ao poder e à autoridade racial, realizando por meio da corporeidade performática uma resposta ao racismo. Na perspectiva latino-americana, pretende-se revisitar a “invenção" da América Latina ressignificando as estruturas ideológicas organizadas em forma de hierarquias. Essa abordagem toma como ponto norteador o desafio proposto por Walter Mignolo aos pesquisadores dos estudos literários: ressignificar não só o papel das narrativas latino-americanas na construção desse pensamento Moderno/Colonial, mas as estruturas ideológicas dessas narrativas enquanto resistência e/ou enquanto propagadoras desse pensamento. Na perspectiva africana, almeja-se discutir como as formas africanas de auto inscrição e as noções de ancestralidade, apresentadas respectivamente por Achille Mbembe e Eduardo Oliveira permeiam a escrita negra e transformam o texto literário em um lugar epistêmico que se consolida a parir de uma cosmovisão fundada a partir de experiências coletivas. Nesta análise, tais noções são transformadas em categorias analíticas, construídas a partir de um tempo espiralar, permitindo, assim, que as identidades africanas e diaspóricas sejam pensadas de diferentes formas, através de uma série de práticas, memórias e culturas distintas, que se retroalimenta de uma experiência múltipla. Palavras-chave: Decolonização do pensamento. Performance. Narrativas latino-americanas. Ancestralidade. Alteridade