Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 532

Página | 532 Resumo Individual da Mesa-Redonda #3 A ESCRITA NEGRA NA ENCRUZILHADA E A ANCESTRALIDADE DOS CORPOS ESCRITOS: DESCORTINANDO O SIGNO CANÔNICO E DECOLONIZANDO O PENSAR Natália Regina Rocha Serpa nataliaserpa@ifma.edu.br FURG/IFMA RESUMO: O presente artigo pretende analisar como a escrita de mulheres negras pode ser encarada como um lugar epistêmico de onde emanam diferentes representações identitárias de um mesmo continente. Tal análise está ancorada, principalmente, nos escritos do filósofo camaronês Achille Mbembe, que em seu texto “As formas africanas de auto inscrição” alerta para os perigos de se pensar o Ser africano a partir de uma alteridade essencialista que não leve em consideração as especificidades culturais, políticas e geográficas em África. Para Mbembe (2011) antes de se pensar a construção de uma identidade africana é necessário pensar como três eventos históricos estão diretamente ligados à identidade do Ser negro, sendo eles: a escravidão, o colonialismo e o apartheid. Esses três eventos construíram um conjunto de significações canônicas que propagou um Eu africano dotado de uma forma inanimada de identidade, onde “não apenas o Eu não é mais reconhecido pelo Outro, como também não mais reconhece a si próprio”. Nesse sentido esta pesquisa objetiva pensar como a escrita de muitas mulheres negras e africanas assim como o orixá Exu estão posicionadas na encruzilhada e são mensageiras de experiência que nem sempre estão no campo do narrável, uma escrita que por nascer do “Outro do Outro” consegue apresentar convergência de caminhos que partem de diversas direções. Para operacionalizar e decolonizar a presente analise usaremos as ideias de Eduardo Oliveira acerca do conceito de ancestralidade que por sua vez será pensada a partir da figura de Iroko, o orixá que tem sob o seu domínio a regência da vida e da morte, ele é a representação de um tempo espiralar que, assim como a ancestralidade não produz narrativas lineares. Entender a produção literária negra como lugar epistêmico capaz de decolonizar as categorias de análise é um caminho para necessário para desconstruir o signo canônico e perceber a partir da singularidade da experiência dos corpos negros e dos mitos de matriz africana. Nesse sentido o corpo negro se apresenta ao mesmo tempo como um tecido escritural e um espaço simbólico de escuta tocado pela ancestralidade que por muitos pode ser lida como uma categoria de alteridade (SÃO BERNARDO, 2018). Palavras-chave: Decolonização. Epistemologias Africanas. Ancestralidade. Alteridade.