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Resumo Individual da Mesa-Redonda #3
A ESCRITA NEGRA NA ENCRUZILHADA E A ANCESTRALIDADE DOS CORPOS
ESCRITOS: DESCORTINANDO O SIGNO CANÔNICO E DECOLONIZANDO O
PENSAR
Natália Regina Rocha Serpa
nataliaserpa@ifma.edu.br
FURG/IFMA
RESUMO: O presente artigo pretende analisar como a escrita de mulheres negras pode ser
encarada como um lugar epistêmico de onde emanam diferentes representações identitárias de
um mesmo continente. Tal análise está ancorada, principalmente, nos escritos do filósofo
camaronês Achille Mbembe, que em seu texto “As formas africanas de auto inscrição” alerta
para os perigos de se pensar o Ser africano a partir de uma alteridade essencialista que não leve
em consideração as especificidades culturais, políticas e geográficas em África. Para Mbembe
(2011) antes de se pensar a construção de uma identidade africana é necessário pensar como
três eventos históricos estão diretamente ligados à identidade do Ser negro, sendo eles: a
escravidão, o colonialismo e o apartheid. Esses três eventos construíram um conjunto de
significações canônicas que propagou um Eu africano dotado de uma forma inanimada de
identidade, onde “não apenas o Eu não é mais reconhecido pelo Outro, como também não mais
reconhece a si próprio”. Nesse sentido esta pesquisa objetiva pensar como a escrita de muitas
mulheres negras e africanas assim como o orixá Exu estão posicionadas na encruzilhada e são
mensageiras de experiência que nem sempre estão no campo do narrável, uma escrita que por
nascer do “Outro do Outro” consegue apresentar convergência de caminhos que partem de
diversas direções. Para operacionalizar e decolonizar a presente analise usaremos as ideias de
Eduardo Oliveira acerca do conceito de ancestralidade que por sua vez será pensada a partir da
figura de Iroko, o orixá que tem sob o seu domínio a regência da vida e da morte, ele é a
representação de um tempo espiralar que, assim como a ancestralidade não produz narrativas
lineares. Entender a produção literária negra como lugar epistêmico capaz de decolonizar as
categorias de análise é um caminho para necessário para desconstruir o signo canônico e
perceber a partir da singularidade da experiência dos corpos negros e dos mitos de matriz
africana. Nesse sentido o corpo negro se apresenta ao mesmo tempo como um tecido escritural
e um espaço simbólico de escuta tocado pela ancestralidade que por muitos pode ser lida como
uma categoria de alteridade (SÃO BERNARDO, 2018).
Palavras-chave: Decolonização. Epistemologias Africanas. Ancestralidade. Alteridade.