Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Seite 523
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Resumo Individual da Mesa-Redonda #1
PERSPECTIVAS CRÍTICAS SOBRE O FAZER ANTROPOLÓGICO: UMA
REFLEXÃO SOBRE OS GRANDES DIVISORES
Ana Caroline Amorim Oliveira
Curso de Licenciatura em Ciências Humanas/Sociologia-LCHS
Campus São Bernardo, UFMA
Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade-PGCULT/UFMA
RESUMO: O debate “natureza versus cultura”, bem como, “indivíduo versus sociedade”,
foram os debates fundante para a disciplina Antropologia e suas vertentes conhecidas como
Antropologia Social e Antropologia Cultural. Tais binômios ou dicotomias estão sendo
criticadas, ou melhor, tencionadas por autores que colocam em xeque tais dicotomias como
Latour(1991), Viveiros de Castro(2014), Wagner(2010), Strathern(1988), entre outrxs. A
proposição de antropologia simétrica traz novas possibilidades de se pensar e, principalmente,
de fazer antropologia. O autor rompe com as pretensas dicotomias e suas separações radicais
que nunca de fato aconteceram como se pensou acreditar os que nunca foram modernos. Nesse
sentido, a antropologia simétrica de Latour pretende investigar e analisar nossa própria
sociedade com o mesmo grau de originalidade e sofisticação com que, às vezes, somos capazes
de falar das outras sociedades. Além de suspender qualquer juízo sobre uma suposta distinção
de fundo entre “nós e os outros”, não recorre a qualquer hipótese sobre uma superioridade
intrínseca de nossos modos de conhecimento (o que significa evitar a noção de natureza como
realidade em si e como juiz das diferentes representações) e buscar aplicar sobre nossas
instituições “centrais” (ciência, política, universidade,) os mesmos procedimentos de
investigação utilizados pelos etnógrafos das outras sociedades. A antropologia simétrica tal
qual Latour a compreende não é a única possível. Há vários sentidos para a simetria. Não
obstante, Latour colocou o dedo em uma ferida da chamada da disciplina, ao sugerir que,
“audaciosos com relação aos outros”, os antropólogos são tímidos quanto a si mesmos” (1991,
p. 100). Diante dessa reflexão, a pesquisa sobre a entrada dos povos indigenas na universidade
desloca esses grandes divisores já que são os “nativos” que demandam pelo conhecimento não-
indígena num processo de contrainvenção se apropria do conhecimento da sociedade dominante
para poder se proteger dos ataques dessa mesma sociedade. As estratégias utilizadas pelos
índios para estar presente na universidade, assim como, se utilizar desse conhecimentos para
afirmar e visibilizar sua história, sua luta, sua presença viva enquanto agentes(actantes) e não
mais como “objetos de pesquisa”, servem de reflexão para um outro fazer antropológico.
Palavras-chave: Antropologia simétrica, Povos indígenas, Universidade.