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RAP E FILOSOFIA: A DISCUSSÃO GADAMERIANA SOBRE ARTE E A
DECLARAÇÃO DE VERDADE NA CANÇÃO CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 3, DOS
RACIONAIS MC’S
Anderson Costa 83
Prof. Dr. Almir Ferreira da Silva Júnior 84 (DEFIL-UFMA)
RESUMO: A presente proposta busca, não com vistas ao esgotamento do debate, apresentar
uma discussão entre a produção artística do grupo paulista Racionais MC’s, mais
especificamente em sua canção Capítulo 4, versículo 3, do disco Sobrevivendo no Inferno
(1997), com as propostas do hermeneuta alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002),
principalmente na relação entre os conceitos de arte e verdade, sendo a experiência artística,
assim como a histórica e filosófica, potenciais experiências de verdade. Para tanto, devemos
atentar que os anos 1980 foram, no Brasil, sinônimo de expansão, desenvolvimento e
disseminação de um movimento que surgira em meados nos anos 1960-1970 no bairro do Bronx
em Nova York, nos Estados Unidos: o hip-hop. Reunindo seus quatro elementos característicos
– o MC, o DJ, o grafite e o break – o hip-hop guarda, desde sua gênese até o presente momento,
uma íntima relação política de engajamento social e fortes críticas às mazelas dos grandes
centros urbanos, como a letalidade policial direcionada e exercida nos corpos negros, a
desigualdade social, o racismo, a pobreza, as drogas, o crime, etc. Tendo experenciado a luta
pelos direitos civis nos EUA, os comícios calorosos de Martin Luther King e os discursos do
líder Malcon X, o hip-hop encontrou – ou fora fruto desse momento – uma possibilidade de
fazer-se ouvir por todos aqueles que, inseridos ou não no contexto, por vezes faziam-se alheios
ao sofrimento de negros, imigrantes, jovens e toda uma comunidade. Menos de vinte anos mais
tarde, o Brasil já recebera forte influência desse movimento e mostrava seus primeiros
representantes em solo brasileiro. Os Racionais MC’s foram, e continuam sendo, sinônimos de
resistência e crítica, enquanto um dos maiores e mais impactantes grupos do rap nacional. A
efetivação dessa proposta toma como parâmetro a abordagem de textos clássicos de Gadamer,
como Verdade e Método I (1960) e A atualidade do belo (1978); na discussão sobre o hip-hop,
Rap e Política: percepções da vida social brasileira (2015), do historiador Roberto Camargos
e do recém-lançado livro sobre o disco Sobrevivendo no Inferno (1997). Realizando uma breve
análise do cenário de produção artística do grupo, e o contexto no qual estamos inseridos,
propõe-se abordar aquilo que, possivelmente, fora superado ou acentuado, sem tomar como
objetivo a exploração de todos o temas, com vistas ao debate entre aquilo que está contido e
narrado nas letras e o presente momento, passados mais de vinte anos do lançamento do disco.
Objetiva-se aqui a reafirmação da tese gadameriana: a experiência artística é condição de
possibilidade para experiências de verdade.
Palavras-chave: Arte; Verdade; Rap. Hermenêutica.
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Graduando do curso de licenciatura em Filosofia da Universidade Federal do Maranhão. Participante do
programa Residência Pedagógica UFMA-CAPES. E-mail · andersoncosta.ufma@hotmail.com.
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Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Maranhão. E-mail · alferjun@uol.com.