Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 451

Página | 451 O CONSUMO DA FELICIDADE: A EMOÇÃO COMO MEDIADORA NAS PRÁTICAS DE CONSUMO Heide Cabral Rodrigues Braz80 Jocy Meneses dos Santos Junior81 Orientador: Prof. Msc. João Rocha Raposo82 RESUMO: O objetivo desta pesquisa é investigar a relação entre consumo e emoção, sob uma perspectiva que busca compreender como essa vinculação entre ter e sentir se estabeleceu historicamente e quais os seus impactos na cultura da contemporaneidade. Desde a Revolução Industrial, as sociedades ocidentais têm sofrido transformações sociais, culturais e econômicas profundas e em ritmo acelerado graças à consolidação, à disseminação e à reinvenção do modo capitalista de produção. Esse processo foi introduzido às massas por meio das novas formas de comunicação (como o design, a publicidade, o marketing e o entretenimento) que exploravam as linguagens midiáticas emergentes. Além disso, ele se baseou na constante renovação dos próprios produtos, proporcionada pelo emprego de novos materiais e de novas técnicas de produção. Essas estratégias, que buscavam inicialmente impulsionar as vendas de produtos disponibilizados no mercado, ocasionaram uma mudança mais profunda da relação entre as pessoas e o consumo. Os impactos dessa dinâmica transbordaram da esfera da economia, da compra e venda de bens e serviços, e se fizeram perceber também sobre os indivíduos, individual e coletivamente, trazendo notórias consequências para o modo de estar no mundo e nele estabelecer relações. A lógica do consumo penetrou de tal modo nas mentalidades dos indivíduos que influenciou o modo como a vida pública e privada passou a ser percebida e operacionalizada. Para discutir o contexto evolutivo desse processo, são apresentadas as reflexões de dois influentes pensadores do campo das ciências sociais que buscaram compreender a evolução do consumo e seus reflexos na sociedade, clarificando o modo como a felicidade na contemporaneidade aparenta estar diretamente relacionada ao poder de compra e os impactos disso no imaginário coletivo. O filósofo Gilles Lipovetsky em sua análise da “hipermodernidade”, delimita e descreve com clareza três eras do consumo, apresentando os indivíduos de cada uma delas e o modo como eles se comportam. O sociólogo Zygmunt Bauman introduz o conceito de “modernidade líquida” e analisa o consumo a partir de uma descrição pormenorizada da transição da sociedade de produtores para a sociedade de consumidores. À guisa de conclusão, são elaboradas considerações a partir das reflexões apresentadas pelos teóricos estudados, buscando evidenciar como se constituiu nas sociedades capitalistas o ideal de um consumo de cunho fortemente emocional no início, compreender a sua ressignificação em meio às profundas transformações que tiveram lugar no seio da cultura ocidental desde a sua emergência e destacar seus impactos nas vidas dos indivíduos e no ambiente em que habitam, a fim de reafirmar a necessidade de reflexão por parte dos profissionais das mais diversas áreas engajadas na produção de bens e serviços e na manipulação de linguagens midiáticas a respeito das causas e consequências da lógica de consumo em vigência na sociedade contemporânea em que estāo inseridos. Palavras-chave: Hipermodernidade; Modernidade Líquida; Psicologia do Consumo; Consumo Emocional. 80 E-mail: heidecrb@gmail.com. E-mail: jocy.meneses@gmail.com. 82 Professor Adjunto do Departamento de Desenho e Tecnologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). E-mail: joaoraposo@oi.com.br. 81