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O CAPITAL SE APROPRIA DAS PALAVRAS E CONSTROI HEGEMONIA?
Dalila Alves Calisto
Acadêmica do Programa de pós-graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe
(TerritoriAL)
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)
dalilaalvescalisto@outlook.com
Orientador: Antonio Thomaz Junior
Professor Titular de Geografia do Trabalho; Departamento de Geografia/FCT/UNESP/Presidente Prudente;
Pesquisador PQ-1/CNPq;
Coordenador do CEGeT, e do CETAS
thomaz.jr@unesp.br
RESUMO: Na sociedade capitalista, a política, a economia e a cultura constituem partes da
estrutura de poder da burguesia. É com esta compreensão que, cada vez mais, a linguagem ou
as palavras são usadas para contribuir com a manutenção do pensamento hegemônico. Se, isso
é, para nós, uma constatação, resta-nos saber como se edifica na realidade atual. Este artigo tem
como objetivo compreender de que maneira a classe dominante se apropria da linguagem para
construir a sua hegemonia, discutindo quais as ferramentas gramaticais e linguísticas são mais
utilizadas, sobretudo, quais palavras vêm sendo aplicadas cotidianamente pelos representantes
do capital como pontos-chave de comunicação com os trabalhadores e com o povo em geral,
para perpetuar as ideias e valores capitalistas. Isso ocorre globalmente e em cada país, sendo
que no Brasil, principalmente, para garantir a legitimidade das novas medidas neoliberais
adotadas a partir do Golpe de 2016, onde a elite política, econômica, midiática e judicial
instituíram-no de linguagem própria do ordenamento jurídico vigente, mediante o uso de
expressões e palavras “consensuais”, como: “pelo bem da família”; “afastar o Brasil do viés
ideológico vermelho”; ”resgatar os valores, símbolos e padrões da nação”. E ainda, valores
pátrios, tais como a bandeira, o hino nacional, a ordem e o progresso. Diante disso, pode-se
afirmar que a falta do domínio da palavra por parte de um povo, pode configurar-se como uma
barreira para seu desenvolvimento e apropriação plena dos bens culturais, políticos,
intelectuais, científicos, econômicos e sociais do país.
Palavras-chave: palavra, dominação, hegemonia, capitalismo