Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Seite 419
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CORPO MASCULINO ELEGANTE: O DISPOSITIVO MODA COMO
MODELADOR DA SUBJETIVIDADE NAS PÁGINAS DA REVISTA ELEGANTE
(1897)
Denisy Feitoza Aires
denisy.aires@hotmail.com
Orientadora: Profa. Dra. Ilza do Socorro Galvão Cutrim
ilzagal@uol.com.br
UFMA / FAPEMA
RESUMO: Na transição do fim do século XIX para o início do século XX, São Luís passou
por diversas adaptações diretamente proporcionais aos ideais de civilidade disseminados pelo
Velho Mundo, de modo que a capital ludovicense buscou se converter em civilizada e dotada
de bons hábitos. As mudanças embaladas pelo ideal de civilidade exigiram do homem da capital
maranhense um modelo de comportamento civilizado que orientava grupos sociais ávidos por
prestígio. Um dos elementos de diferenciação social era a vestimenta, inspirada no modelo
parisiense, tomado como farol de elegância. Como forma de disseminação do estereótipo
moderno destaca-se, em São Luís, a Revista Elegante que veiculava um conjunto de prescrições
e proibições quanto ao modo de vestir do homem ludovicense. Nosso trabalho tem como
objetivo analisar como a moda se constituiu, nas páginas da revista Elegante, como um
dispositivo de controle do corpo do sujeito homem ludovicense, na era de transição para a
modernidade. Investiga quais saberes foram forjados pela moda nas séries enunciativas de uma
crônica da Revista Elegante (1897), e quem era autorizado a dizê-los. A moda se caracteriza
enquanto dispositivo (FOUCAULT, 2005) que refletiu as exigências sociais da era da
modernidade, o que exigiu que a civilidade não se restringisse apenas a infraestrutura das
cidades, mas também às boas maneiras e à indumentária, visto que o bem trajar e a boa conduta
marcariam a diferença entre o ser civilizado e o ser bárbaro. Para isto, a moda se investiu de
diversas tecnologias dentre elas a punição e a vigilância, além de servir-se de uma linguagem
de manual de instrução que revelou o seu caráter rigoroso e autoritário. A principal maneira de
veiculação dos ditames do dispositivo em questão foram as páginas da Revista Elegante que,
na posição de sujeito, era autorizada a falar do centro do dispositivo moda, principalmente
porque ela contava com alfaiates e correspondentes franceses, que disseminavam as novidades
parisienses e que enunciavam em conformidade com os valores sociais admitidos como
legítimos. A moda se apresenta como um dispositivo que é fruto da união de discursos distintos
característicos de uma época, que conduzem o que pode ser visto e dito, e até mesmo, o que
deve ser usado pelo corpo. Para isto, este dispositivo forja estratégias discursivas como a
incitação ao receio de parecer patético através do simbolismo que os trajes refletem. Aliado a
isto, existem, no nível da linguagem, enunciados de cunho pejorativo que desqualificam os não
enquadrados à moda, ao mesmo tempo, em que se percebe uma ação pedagógica referentemente
às vestimentas encontradas na Revista Elegante, a fim de instruir os homens.
Palavras-chave: Homem elegante. Dispositivo. Moda. Revista Elegante.