Boletim Kappa Crucis KAPPA01 -Primavera-2017 | Page 69

Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS ­ No. 1 ­ Primavera 2017 sua superfície, ou seja, talvez tenha sido uma formação circunstancial apenas, sorte, exceção. A Terra poderia ter mais satélites sim, mas provavelmente não do porte da Lua, talvez menores, pois não teria tanta gravidade para manter um sistema local com mais satélites grandes. E qualquer corpo que a orbitasse afetaria significativamente o nosso planeta, como já ocorre com a Lua, através das marés e de parte das características do movimento da Terra no espaço. Se vivêssemos num sistema com muita ação gravitacional, talvez a Terra sofreria mais com os movimentos das placas e com terremotos e vulcanismo. A violenta ação gravitacional de Júpiter em Io causa isso. (KC) “Por que em algumas cidades, quando o tempo está bom, podemos ver o céu mais estrelado?” (Sandra Lima, inspetora escolar da EE Trinta e Um de Março, Campinas, SP) Isso ocorre em função da menor ou da ausência de poluição luminosa. Em cidades grandes, em função das poeiras e partículas suspensas na atmosfera e pela enorme projeção de luzes, temos o que chamamos de “poluição luminosa”, cujo efeito é ofuscar ou impedir mesmo que olhemos para um céu com mais detalhes observáveis. E em cidade pequenas ou distantes de grandes centros isso não ocorre. Assim, ver o céu aberto do centro de Campinas e em algum lugar isolado e muito escuro, a diferença da qualidade e limpidez da atmosfera para observação do céu é significativa, e vemos mais estrelas e outros objetos. (KC) “Como se forma um Buraco Negro? Ele tem um tempo específico para deixar de existir? (Sthefany Kauany Dias, aluna da 2a série do ensino médio da EE Trinta e Um de Março, Campinas, SP) As estrelas “nascem” ou se formam a partir de nebulosas, que são imensas estruturas constituídas por gás, poeira, gelo, partículas etc. Essas nebulosas são geralmente restos de antigas estrelas que “morreram” ou que encerraram seu equilíbrio entre a força de expansão dos gases e a gravidade, lançando ao espaço grande quantidade de matéria estelar. Pontos de concentração de matéria formam pontos de gravidades e com o passar do tempo protoestrelas. Essas estrelas se formam com a aquisição por gravidade de matéria da nebulosa. Quando ela absorve uma enorme quantidade, gerando enorme pressão e temperatura em seu núcleo, passando a realizar fusão nuclear, ela “nasce”. Muitos são os tipos de estrelas que se formam, desde pequenas anãs vermelhas, que duram muito tempo, assim como as amarelas como o Sol, que é uma estrela pequena, embora não anã. Mas se formam também estrelas bem maiores e com tempos de vida bem menor. Essa diversidade de estrelas faz com que cada uma tenha suas características de “vida” ou existência, e por consequência elas terão também “mortes” diferentes. Estrelas pequenas como o Sol se transformam em Novas, fins basicamente sem explosão violenta, um arroto no espaço. Mas estrelas massivas tem um fim bem mais violento e grandioso. Elas explodem em Supernovas ou Hipernovas, e sem forem muito massivas, se transformam em Buracos Negros, ou seja, a gravidade age violentamente e concentra num espaço pequeno grande parte da moribunda estrela, tornando­a extremamente pequena e densa e com uma gravidade assustadoramente grande, tão grande que nem a luz, que é a coisa mais rápida do Universo, não escapa. Quanto ao que acontece dentro de um Buraco Negro ainda é pouco conhecido. Como buracos negros absorvem muita matéria e energia, muito se especula o que eles fazem com isso, ou como isso se transforma ou é expulso deles. O tempo de vida de buraco negro pode ser enorme, podendo ser ele até eterno, de certa forma. (KC) ­ 65 ­