Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS No. 1 Primavera 2017
sua superfície, ou seja, talvez tenha sido uma
formação circunstancial apenas, sorte,
exceção. A Terra poderia ter mais satélites sim,
mas provavelmente não do porte da Lua,
talvez menores, pois não teria tanta gravidade
para manter um sistema local com mais
satélites grandes. E qualquer corpo que a
orbitasse afetaria significativamente o nosso
planeta, como já ocorre com a Lua, através
das marés e de parte das características do
movimento da Terra no espaço. Se
vivêssemos num sistema com muita ação
gravitacional, talvez a Terra sofreria mais com
os movimentos das placas e com terremotos e
vulcanismo. A violenta ação gravitacional de
Júpiter em Io causa isso. (KC)
“Por que em algumas cidades,
quando o tempo está bom,
podemos ver o céu mais
estrelado?” (Sandra Lima,
inspetora escolar da EE Trinta e
Um de Março, Campinas, SP)
Isso ocorre em função da menor ou da
ausência de poluição luminosa. Em cidades
grandes, em função das poeiras e partículas
suspensas na atmosfera e pela enorme
projeção de luzes, temos o que chamamos de
“poluição luminosa”, cujo efeito é ofuscar ou
impedir mesmo que olhemos para um céu com
mais detalhes observáveis. E em cidade
pequenas ou distantes de grandes centros
isso não ocorre. Assim, ver o céu aberto do
centro de Campinas e em algum lugar isolado
e muito escuro, a diferença da qualidade e
limpidez da atmosfera para observação do céu
é significativa, e vemos mais estrelas e outros
objetos. (KC)
“Como se forma um Buraco
Negro? Ele tem um tempo
específico para deixar de
existir? (Sthefany Kauany
Dias, aluna da 2a série do
ensino médio da EE Trinta e
Um de Março, Campinas, SP)
As estrelas “nascem” ou se formam a partir de
nebulosas, que são imensas estruturas
constituídas por gás, poeira, gelo, partículas
etc.
Essas nebulosas são geralmente restos de
antigas estrelas que “morreram” ou que
encerraram seu equilíbrio entre a força de
expansão dos gases e a gravidade, lançando
ao espaço grande quantidade de matéria
estelar. Pontos de concentração de matéria
formam pontos de gravidades e com o passar
do tempo protoestrelas. Essas estrelas se
formam com a aquisição por gravidade de
matéria da nebulosa. Quando ela absorve uma
enorme quantidade, gerando enorme pressão
e temperatura em seu núcleo, passando a
realizar fusão nuclear, ela “nasce”. Muitos são
os tipos de estrelas que se formam, desde
pequenas anãs vermelhas, que duram muito
tempo, assim como as amarelas como o Sol,
que é uma estrela pequena, embora não anã.
Mas se formam também estrelas bem maiores
e com tempos de vida bem menor.
Essa diversidade de estrelas faz com que
cada uma tenha suas características de “vida”
ou existência, e por consequência elas terão
também “mortes” diferentes. Estrelas
pequenas como o Sol se transformam em
Novas, fins basicamente sem explosão
violenta, um arroto no espaço. Mas estrelas
massivas tem um fim bem mais violento e
grandioso. Elas explodem em Supernovas ou
Hipernovas, e sem forem muito massivas, se
transformam em Buracos Negros, ou seja, a
gravidade age violentamente e concentra num
espaço pequeno grande parte da moribunda
estrela, tornandoa extremamente pequena e
densa e com uma gravidade
assustadoramente grande, tão grande que
nem a luz, que é a coisa mais rápida do
Universo, não escapa. Quanto ao que
acontece dentro de um Buraco Negro ainda é
pouco conhecido. Como buracos negros
absorvem muita matéria e energia, muito se
especula o que eles fazem com isso, ou como
isso se transforma ou é expulso deles. O
tempo de vida de buraco negro pode ser
enorme, podendo ser ele até eterno, de certa
forma. (KC)
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