Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS No. 1 Primavera 2017
seja, essa cópia seria exatamente
uma cópia, pois como seria
absolutamente perfeita, igual,
seria na prática o original!
Embora não fosse cópia de nada,
pois o “original” mudou de
espaço, só existe um, ele
mesmo! A máquina para fazer
isso teria uma complexidade
extraordinária, inimaginável.
Talvez nunca consigamos enfim
entrar num daqueles magníficos
teletransportes. Uma pena.
E por fim, como foi dito mais
acima, outra forma seria lidar
com os tempos astronômicos
para cobrir essas distâncias
astronômicas. Poderíamos enviar
embriões que se
desenvolveriam
lentamente em
“casulos” particulares
e que chegariam no
destino com toda uma
estrutura pronta para
acordálos e educálos
enquanto cresceriam
no novo mundo, na
prática o mundo deles, coisa que
uma nave robô e androides
programados para isso fariam
tranquilamente. Talvez
consigamos nos tornar mais
longevos, prolongando a vida
humana em até milhares ou
milhões de anos! Nesses dois
casos, o conhecimento genético
e a engenharia genética seriam
fundamentais. Mas, devemos
considerar aqui aspectos
psicológicos dos seres
submetidos às essas condições,
nesses casos de quase
eternidade.
Portanto, a exemplo de
“Passageiros”, em que humanos
vivem a mesma expectativa de
vida que vive mos hoje,
poderíamos pensar em naves
dormitórios, como a Avalon,
todas equipadas e programadas
para levar em segurança
humanos a distâncias enormes. E
para isso, humanos ficariam num
estado de hibernação ou
preservação criogênica ou
animação suspensa, em casulos
ou cabines ou compartimentos
similares aos que aparecem no
filme, enquanto a nave se cuida
sozinha ou através de robôs ou
androides. Isso significa fazer
com que as pessoas fiquem num
estado de sono profundo,
letárgico, em que as funções
vitais, o metabolismo, se
reduzam a quase zero. Os
processos bioquímicos do corpo
atuariam de maneira mínima e
consequentemente extremamente
lenta. Um caminho pode ser a
criobiologia, que estuda e
desenvolve possibilidades de
preservar em baixa temperatura
corpos vivos nesse estado de
“hibernação”. Mas em casos de
viagens espaciais, algo muito
mais avançado que uma
hibernação padrão ou conhecida
seria necessário, o que não existe
ainda. Todos os humanos de
Avalon foram submetidos a essa
condição para suportar a viagem
de 120 anos. Basicamente seria
como de um dia para o outro
chegar em Hamestead II, pois
todos os passageiros sentiriam
que a viagem teria durado
apenas algumas horas ou dias, ou
no caso da tripulação, que
certamente “dormirá” mais tarde
e “acordará” mais cedo, sentiria
que a viagem durou semanas no
máximo, embora gerações
humanas tenham existido na
Terra. Interessante seria a
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percepção de que de uma hora
para a outra tudo acabou, tudo
mudou. Seria essa a sensação
exata dos passageiros de Avalon.
Ops... Onde estávamos mesmo.
Ah sim... Jim Preston acabara de
“acordar”, mas 90 anos antes do
previsto! Assim ele se vê sozinho
numa gigantesca nave.
Inicialmente tem que lidar com a
enorme frustração, pois percebe
que nunca chegará a Homestead
II. Aos poucos, depois de flertar
com a loucura (tema recorrente
quando se fala de solidão
prolongada no espaço), se
recompõe e decide seguir com a
estranha vida que teria
dali para frente. Decide
sobreviver e seguir em
frente. E sobrevive a essa
condição de extrema
solidão por um ano. Uma
solidão parcial. Pois
nesse tempo todo ele se
ocupou e teve contato
com Arthur, um androide
bartender ou barman, com quem
ele interage todos os dias num
dos bares de Avalon. Arthur é
bem mais que a “bola de vôlei”
que Tom Hanks (ConcordEUA,
1956) chamou de Wilson em “O
Náufrago”, de 2001, pois um
androide é quase um humano, e
pode ser programado a ponto de
quase não percebermos que de
fato não é humano. Uma das
coisas que mais nos assustam
nos robôs que existem hoje é
exatamente essa semelhança que
muitos apresentam ter conosco.
Isaac Asimov (PetrovichiRússia,
1920 – New YorkEUA, 1992)
acreditava que inteligências
artificias um dia seriam
suficientemente inteligentes para
serem autossuficientes e
independentes, ou que a
humanidade se tornaria
virtualmente eterna ao mesclar
seu corpo a corpos androides.