Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS No. 1 Primavera 2017
Pioneer 10
A Pioneer 10 foi até o final do século XX a sonda localizada mais distante de nós. Mas no começo do século XXI, ela foi ultrapassada pela Voyager 1, que hoje está a mais de 20 bilhões de quilômetros do Sol ou da Terra, pois a distância TerraSol nesse caso é irrelevante. A Voyager 2 está um pouco atrás da irmã. Elas, que foram enviadas ao espaço em 1977, ainda estão ativas e enviando sinais para a Terra, no caso são“ ois” periódicos, que demoram cerca de 20 horas para chegar até nós. Mas o fato é que ambas estão próximas de deixar o Sistema Solar e adentrar o espaço exterior, já sem influência direta do Sol. Seus últimos“ ois”, os últimos contatos devem ocorrer por volta de 2030. A estrela mais próxima de nós é Próxima Centauri, localizada num sistema triplo chamado Alfa Centauri( junto com as estrelas Alfa Centauri A e Alfa Centauri B), a pouco mais de 4 anos luz daqui( cerca de 40 trilhões de quilômetros). Nossas sondas mais rápidas hoje, similares às Pioneers e Voyagers e a New Horizons, levariam com suas velocidades atuais, mais de 100 mil anos para chegar! Esse é o tempo de existência de nossa espécie no planeta Terra. E mesmo a velocidade da luz, a mais rápida possível, levaríamos ainda 4,3 anos para chegar!
Retornando à história de“ Passageiros”, a tripulação iria despertar automaticamente já muito próximo à Homestead II. E os passageiros seriam despertados basicamente na chegada, para desembarcarem nesse novo mundo e recomeçarem suas vidas, já que tudo o que viveram e conheceram já não existiria mais, ficando mais de um século no passado. Todos ali escolheram deixar tudo para trás. Todas as pessoas, lugares, sentimentos e vivências seriam flashes de uma outra vida. Todos iriam recomeçar suas vidas em Homestead II, um planeta muito parecido com a Terra, tanto no tamanho quanto nas características físicas, químicas e geológicas para abrigar vida.
Tudo estava normal, mas depois de 30 anos de viagem, faltando ainda 90 anos para chegar à Homestead II, algo dá errado com a Avalon ao passar por um campo de asteroides, aparentemente algo não previsto ou programado no roteiro da viagem. Uma viagem dessa precisa ter seu trajeto minuciosamente traçado, e absoluto conhecimento pelos locais e objetos por onde passará perto. Ou pelo menos, a nave dever ser equipada e preparada para detectar essas regiões e refazer sozinha a rota. Parece que não era o caso e a nave não pôde antecipar o perigo e projetar consequências. Isso gera inicialmente um mal funcionamento de uma das cabines ou compartimentos de hibernação numa das alas de passageiros, e desperta um passageiro antes do tempo programado. O passageiro Jim Preston( interpretado por Chris Pratt), um engenheiro mecânico, desperta 90 anos antes!
Aqui a história nos remete a
51 reflexões bem interessantes. O grande problema para a realização dessas viagens não diz respeito à tecnologia de naves. Elas já existem. Mas sim às grandes distâncias astronômicas e os tempos que decorrem para percorrer tais distâncias. A ficção científica já explorou muitas possibilidades, algumas bem plausíveis para lidarmos com esses problemas. A primeira é óbvia, aumentar a velocidade de nossas naves. Mas estamos falando aqui de velocidades extraordinariamente maiores das que temos hoje, o que para maioria da comunidade científica, nunca atingiremos, o que nos limitaria a realizar viagens interplanetárias em nosso Sistema Solar, mas jamais viagens interestelares, e intergalácticas, ou seja, para outras galáxias então, nem pensar! A ficção científica oferece velocidades por exemplo como a velocidade sublumínica, que corresponderia a 10 % da velocidade da luz que é cerca de 300 mil km / s, ou a velocidade de dobra(“ warp drive” em inglês –“ velocidade warp”), que significa viajar milhares de vezes a velocidade da luz, como acontece no universo de Star Trek ou de Star Wars. Com a Sublumínica chegaríamos em Alfa Centauri em“ apenas” 40 anos e com a velocidade de dobra poderíamos levar alguns minutos!
Algo curioso poderia ocorrer com essa questão das velocidades, brincando com a relatividade. Imagine uma nave A que saia da Terra para ir para outro lugar distante, o planeta X, numa viagem que levasse 50 anos por exemplo. Essa nave A viajaria já numa velocidade extraordinária e apesar do tempo para a tripulação ser de meio