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Resenha e Reflexões PASSAGEIROS

Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS ­ No. 1 ­ Primavera 2017
Por Vitório Zago
O filme“ Passageiros”, embora elogiado por muitos, também foi severamente criticado. Um exemplo foi uma crítica do site Omelete, site que eu acompanho e gosto muito. O Omelete descreveu o filme como sendo uma“ autoparódia de filmes de astronautas e comédias românticas” e uma“ versão de‘ Interestelar’ para donas de casa”, sendo inclusive nesse último comentário bastante machista e elitista, além de arrogante, na medida em que a crítica supõe diretamente que obras ruins e sem conteúdo são destinadas ou bem aceitas por mulheres e que sejam donas de casa, ou seja, sem muito conhecimento e que gostam de romances fúteis e bobos. Outra crítica chama a obra de“ Titanic do espaço”! Qual o problema de um romance no espaço!? Romances não combinam com ficção científica!? Bem. Questão de opinião. Eu discordo muito dessas visões e considero“ Passageiros” um grande filme de ação, aventura, ficção científica e... também romance, por que não!? Para mim, no geral, uma grande e inesquecível ficção científica! A história se passa toda dentro de uma gigantesca e fascinante nave, a Avalon, que realiza uma viagem de rotina indo da Terra a uma distante colônia terrestre, chamada Homestead II. A colônia é tão distante que a nave leva 120 anos para chegar, mesmo a uma grande velocidade. São cinco mil pessoas em Avalon, entre os passageiros e os tripulantes. Todos os passageiros e depois a tripulação, entram num estado de hibernação para realizar a viagem, caso contrário, morreriam antes de chegar, pois a humanidade ainda não encontrara nesse futuro, talvez não tão distante, maneiras de viver muito mais do que se vive hoje. Todo o processo de hibernação é controlado pela nave, basicamente uma enorme inteligência artificial a serviço dos humanos. Avalon é capaz de manter tudo funcionando sem a presença ou ação direta de humanos, com inúmeros dispositivos de segurança, incluindo programas de avaliação e diagnóstico permanente, ou seja, qualquer avaria durante a viagem ou mal funcionamento, a Avalon estava pronta para se autocorrigir e resolver o problema. Aparentemente estava...
O fato é que viagens espaciais já são realizadas pela humanidade desde o final da década de 1950,
­ 50 ­ quando em 1957, a Sputnik I, foi lançada pelos soviéticos e chegou a se aventurar na órbita da Terra. Depois inúmeras outras missões exploraram a órbita terrestre e muito além dela. Missões tripuladas foram da órbita de nosso planeta à superfície lunar, o que aliás já fez em julho 48 anos em 2017! Em missões não tripuladas visitamos todos os planetas do Sistema Solar, além de alguns planetas anões, cometas e asteroides. O mais longe que chegamos para uma visita até hoje foi Plutão, localizado basicamente entre 6 e 7 bilhões de quilômetros do Sol, feito realizado pela sonda New Horizons. Mas outras sondas já estão bem mais distantes que isso, depois de passar por vários planetas e seus satélites, principalmente os gigantes gasosos Júpiter e Saturno, realizando descobertas fascinantes desses sistemas planetários. São os casos das sondas Pioneer 10 e 11, lançadas respectivamente em 1972 e 1973, e que hoje se encontram a quase 20 bilhões de quilômetros do Sol, sendo que daqui há cerca de 15 mil anos deverão estar fora do Sistema Solar( a Pioneer 11 está um pouco mais perto, e levará um pouco mais te tempo).