imputabilidade penal, soa tão ineficaz quanto desarrazoado ou descabido. Devemos demarcar bem os limites que podem confundir esta posição com a falta de responsabilização. A criança, desde a mais tenra idade, precisa de limites, precisa conhecer o sim e o não, e o talvez.
A liberdade de um indivíduo termina quando inicia a liberdade do outro. Existem valores universais, consagrados que precisam ser afirmados e perpetuados. Dizer que o adolescente, autor de um ato infracional, necessita de uma proteção social e atenção especial e diferenciada, no seu processo de recuperação, não significa que ele não seja responsabilizado pelos seus atos, por meio de uma legislação que busque, de forma específica, a educação como a prevista na lei.
Quando falamos em mercado de trabalho, devemos aprofundar sobre empreendedorismo, economia solidária, cooperativismo, indústria criativa, além da gama infinita de possibilidades que o mercado formal nos oferece. Devemos lutar contra e condenar severamente o trabalho infantil. Lugar de criança é na escola.
Quando falamos em educação, devemos avaliar o quanto nossos parâmetros curriculares estão defasados das exigências da vida e do trabalho, e a assustadora precarização do ensino público, no qual ressalta a irrisória valorização dos professores.
Quando falamos em diálogo com o governo, devemos falar de parcerias, participação criativa, autonomia, qualificação de demanda e corresponsabilidade com as tarefas que podem e devem ser assumidas em conjunto e contribuem para o aperfeiçoamento do Estado democrático.
Sobre cultura, propomos uma reflexão muito especial. Cultura não é algo fora de nós, que podemos, eventualmente, adquirir por um treinamento, uma casca, uma superfície brilhante. Um livro, por exemplo, não é um objeto inerte numa biblioteca, mas sim uma mensagem que podemos tornar viva e incorporar como uma segunda pele.
Cultura é algo vivo e que nos constitui existencial e moralmente. É roupa que vestimos, a comida que comemos, os sonhos que compartilhamos. Cultura é a cidade em que vivemos, o passado que vem até nós, e, especialmente, o presente e o futuro que queremos e podemos construir juntos, de modo criativo, solidário e sobretudo responsável na visão de conjunto de toda a humanidade e de todo o planeta.
Dialogando com a juventude
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