A democracia sob ataque | Seite 93

A paz é imperativa, a paz é solo e semente da construção do novo, pelo qual todos nós almejamos e devemos arregaçar as mangas.
Não estamos defendendo a paz dos cemitérios, mas estamos falando de uma paz inquieta, crítica, criativa, solidária e libertária.
A paz é a antítese da violência, esta sim, irmã siamesa do egoísmo, da intolerância, da opressão e, sobretudo, da exploração entre seres humanos iguais, igualdade ontológica, que reside na própria essência de ser humano.
É preciso ter em mente que as redes sociais, protagonizadas pela juventude, podem ser objeto de controle e manipulação. Precisamos identificar e combater o controle e interceptação que algumas forças pretendem estabelecer sobre o direito à comunicação.
Tal questão serve de alerta e lição a um duplo título: primeiro, o cuidado que se impõe, sobretudo, levando em conta a impulsividade natural dos jovens; e, segundo, a defesa de um valor maior, decorrência do próprio princípio da dignidade da pessoa humana, que é o direito à inviolabilidade, à privacidade e à intimidade dos seres humanos.
Novos e eficientes mecanismos de interação e comunicação não podem ser submetidos aos interesses conservadores, às forças que sustentam o atraso e a exclusão social.
Precisamos ter antídotos, que sejam células ou núcleos de resistência contra a virulência dos agentes comprometidos com a manutenção do status quo.
Devemos e podemos criar e fortalecer o que os jovens chamam de“ redes do bem”, redes que procuram intercambiar o mundo virtual e o mundo real, numa relação harmoniosa. A internet nos coloca no mundo, mas não garante a relação com a vida.
A vida mais criativa e produtiva para os jovens se dá nas relações com a família, com os vizinhos, com a comunidade. Se dá nas organizações da juventude, como nos grêmios, nos times de futebol, nos cineclubes, casas de cultura, associações de modo geral.
Nossas esperanças, as de várias gerações, desde os que ainda estão no ventre materno até os que já se encontram no ocaso da vida, estão, sem dúvida, nas mãos dos jovens.
Os jovens devem assumir um papel de vanguarda na história, identificando e refletindo sobre os problemas que afligem não só a eles, mas a toda a sociedade, a todas as gerações.
Dialogando com a juventude
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