A democracia sob ataque | Page 92

forças não dormem, nem sequer cochilam, mas elas podem ser adormecidas, se surpreendidas por uma nova força inusitada, emergente, fresca: a força da juventude, a força das redes sociais comprometidas com a cidadania, a democracia, os avanços sociais, políticos, econômicos e sociais.
É imponderável, é espetacular, a força das redes sociais e da internet para conscientizar e articular o movimento social de forma barata, rápida e eficiente.
A ideia de espaço, distância, se relativizou. A informação, até então restrita, se publicizou.
Estamos no advento vigoroso da Era da Informação, da comunicação. Eis a Era na qual o novo ganha espaço, e os anseios robustos, frescos e animados da juventude se legitimam.
Creio que a capacidade de mobilização e de provocar mudanças está nas mãos de rapazes e moças.
Nosso grande desafio é pensar o novo sob uma perspectiva de evolução pacífica, mas sem deixar de pensar no salto de qualidade que as manifestações das ruas passaram a clamar de forma retumbante no Brasil contemporâneo.
O gigante Brasil acordou? Está acordando?
Não creio que estivesse dormindo. Fomos reprimidos, açoitados, acuados, amedrontados, até que um dia, como se fosse do nada, como de geração espontânea, ou por algo que como o transporte urbano que revela de forma tão brutal a inversão do interesse público, o gigante acorda, espreguiça, ocupa os espaços que lhe convém e, sobretudo, o que lhe é de direito: O Direito à Indignação.
O gigante aparentemente sonolento, letárgico, indiferente às injustiças e às lutas sociais, foi acordado corajoso e mais forte pelas redes sociais, pela juventude em rede, pela cidadania.
Aparentemente, tênues e imbricados são os contornos e limites da expressão legítima da cidadania com a expressão da violência.
O processo de debate, conscientização, mobilização, reivindicação, controle social e fiscalização, em nome do interesse público, deve ser feito sem confronto, sem provocação, sem violência, por parte de quem quer que seja.
O direito e a ética embasam a evolução humana no caminho de uma civilização mais justa e fraterna e estarão sempre, lado a lado, por um mundo melhor, pela construção de uma nova ordem.
90 Denise Paiva