A democracia sob ataque | Page 76

Uma efetiva Reforma Política implica a completa reformulação da sua estrutura eleitoral e político-partidária. E a necessidade de implementar cortes na imensa máquina do Estado e na sua excessiva burocratização, seria um ponto de inflexão indispensável.
A redução dos privilégios e dos cargos de natureza política e funcional, a começar pelos ministérios e pelo excesso de parlamentares, com a profissionalização de um corpo de funcionários, como nos países sólidos economicamente, seria uma boa medida, mas isso apenas ajudaria a deter o caos que se instalou no aparelho estatal.
A base de uma reforma institucional passa pela requalificação da educação e a edição de um projeto plurianual de grande investimento nessa seara, onde se concentra a maior dívida social e política do país, cujos governantes, até agora, tiveram por características: a irresponsabilidade, a alienação, a arrogância e o personalismo a coroar as suas decisões.
No Brasil, os artigos da Constituição e as instituições e assessorias vinculadas ao governo federal parecem dizer muito pouco à vontade dos que fazem o exercício do poder, os quais parecem surdos ou insensíveis às maiores turbulências, como se a ineficiência ou o vazio das suas decisões fossem o anteparo da cidadania.
O caráter do nosso pensamento político, sempre dual e desprovido de compromisso para com o Brasil, envergonha-nos diante das comunidades a que pertencemos. Somos uma colônia de banqueiros e de políticos inescrupulosos, que teimam em desafiar a Constituição e a cidadania. Os nossos governantes parece que não querem( como nunca quiseram) fazer as reformas que o Brasil necessita, e se as coisas estão colocadas nesse ponto, faz-se indispensável agir. As ruas ocupadas não resolvem tudo, mas a mobilização é prova de que ainda estamos vivos e que sonhamos com algum resultado positivo.
A crise política do Brasil já nos levou a um segundo processo de impeachment, mas a crise da nossa representação partidária, no Executivo e no Legislativo, é ainda muito mais profunda. Está conectada com a falta de legitimidade e com a promiscuidade do nosso sistema partidário.
O jogo sujo para a conquista da máquina do poder, no Brasil, um dia levará a lavanderia política para o ralo, e o teatro vergonhoso da fraude talvez termine enterrando o Brasil em uma travessia vergonhosa.
74 Dimas Macedo