A quadrilha, investigada pela Lava-Jato, ainda nos parece revestida de vários ornamentos. O crime orçamentário, até agora apurado, é apenas o indício de uma fraude que mudou a história política do Brasil e que corrompeu, ainda mais, a sua formação social, com as suas aberrações e o seu teatro, feitos para iludir os pobres e necessitados, ou armados para o conluio e a parceria com os maiores criminosos.
A corrupção no Brasil atropelou a Reforma Política; e os valores da economia neoliberal foram tornando as instituições impotentes. Os partidos se esfacelaram, desde a existência de mensalões ou mensalinhos, desde quando a elite governante resolveu roubar a máquina do Estado, de forma soberana e intransigente.
A esquerda perdeu o seu espaço, se apossou da máquina do Estado e submeteu-se ao sistema financeiro neoliberal, levantando bandeiras que nunca foram suas. Rendeu-se às exigências do mercado e se esfacelou em nome da sua permanência no poder, realizando, entre nós, a maior de todas as trapaças.
A promiscuidade do nosso sistema político, eleitoral e partidário, desde a chegada da República e, especialmente, desde a virada do milênio, resolveu colocar os seus interesses pessoais acima da vontade geral, de forma que o interesse privado solapou as decisões daqueles que governam.
A História nos mostra que a política se caracteriza pela imprevisão, especialmente, nestes tempos em que estamos vivendo, nos quais os valores da sociedade e do Estado pedem um mínimo de garantia e de segurança para a travessia sobre a qual estamos caminhando.
Em uma primeira leitura da nossa crise política, o que defendemos é que a Constituição seja respeitada e que o nosso discurso jurídico se ponha em harmonia com a sua estrutura semântica e com os seus princípios e valores, pois esta é a receita garantida pelo Estado de Direito.
O impeachment e a Reforma Política
Mas o que urge e o que clama na consciência da nação é a necessidade de um grandioso processo de impeachment que possa atingir, também, a cúpula do Poder Legislativo e a leniência e falta de isenção e de justiça que governam a mente de muitos dos nossos magistrados, especialmente daqueles que são chamados de ministros.
Reflexões sobre Reforma Política
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