Reflexões sobre Reforma Política
Dimas Macedo
Dominado pela esperteza ou a incapacidade dos seus governantes e da sua elite dirigente, o Brasil clama por uma Reforma Política e pela defesa da Constituição. Há uma insatisfação, inquieta e generalizada, no oceano da cidadania, e o que se aspira, em toda a nação, é a transformação do seu estrato político.
Aquilo de que o Brasil mais necessita está ainda tamponado pelas leituras superficiais com que os aplicadores do Direito leem a Constituição, e pela ousadia com que o crime organizado estrutura a outra Constituição, com a qual vai entretendo o Poder Judiciário e a aplicação do orçamento.
A guerra que se levanta, entre nós, desde a mobilização da classe média e da cidadania, não é apenas uma oposição ao estrato governante, mas um movimento que vai se tornando permanente contra a corrupção plantada na máquina do Estado, que desafia a Polícia Federal e o Poder Judiciário e preocupa o Ministério Público.
No plano das instituições, aquilo que mais se expõe é a incompetência dos nossos governantes, que não sabem olhar para a crise, tratando o interesse público como extensão dos seus interesses.
Os desvios de função, a malversação dos recursos, as omissões e os crimes, no âmbito do aparelho público, têm feito do Brasil um Estado sem nenhum sentido de mudança, que vive em conluio com os seus comparsas e com aqueles que corrompem as suas finanças.
Vivemos uma crise política e econômica, institucional, moral e financeira; crise de inapetência para os sentidos maiores da política ou para a condução do Poder e o abuso da autoridade; crise de não saber dizer para onde vai o Orçamento e qual a dimensão da nossa tragédia social.
O governo, que vai se confirmando no Brasil, tem ainda uma dívida de legitimidade perante os anseios da nação, apesar do aparato jurídico que o sustenta, desde a apuração do crime de responsabilidade pelo Poder Legislativo, com a tutela do Poder Judiciário.
72