No mesmo período, a população em idade ativa, terá uma queda de 0,13 % ao ano; assim, a relação entre população ativa e inativa deve passar de 5,7, em 2015, para apenas 2, em 2050, de modo que se todas pessoas aptas para o trabalho estivessem ocupadas, o que não ocorre porque apenas cerca de metade está no mercado de trabalho, cada trabalhador teria que financiar os benefícios de dois idosos( projeção demográfica do IBGE). Mesmo aumentando a idade mínima para 65 anos, a relação seria ainda de 2,8 trabalhadores ativos para bancar um inativo. Logo, mantidas as regras atuais da previdência, em 2050 cada trabalhador teria que triplicar a sua contribuição para manter a relação receita-despesa do sistema previdenciário.
Passado e futuro
A discussão sobre a previdência social deveria avaliar também os custos alternativos da aposentadoria e das pensões no orçamento público, absorvendo parcela relevante e crescente dos recursos disponíveis para investimento e custeio no Brasil. Supondo que a carga tributária do Brasil já alcançou patamares elevados( 35 % do PIB), sendo atualmente pouco inferior à da Alemanha, qualquer aumento dos gastos na previdência social deve reduzir disponibilidade para outros itens e rubricas do orçamento. Quanto maior o gasto com benefícios da previdência, menor a disponibilidade de recursos da União, dos estados e dos municípios para aplicação em fatores determinantes do desenvolvimento, especialmente educação e inovação. Como um componente das despesas primárias, a previdência social deve ser analisada e discutida como parte de uma estratégia de alocação de recursos prioritários para o desenvolvimento nacional com desdobramentos presentes e futuros na realidade brasileira. Nos últimos dez anos( 2005 a 2015), as despesas com a Previdência Social( Regime Geral e Regime Próprio) têm flutuado em torno de 26,7 %, de acordo com estimativa da FGV.
A previdência social é um instrumento fundamental de distribuição de renda para a população inativa e idosa, constituindo um benefício da economia para os que não mais produzem riqueza. Mas esta distribuição de renda não contribui para o desenvolvimento, representando, na verdade, uma redução da poupança nacional transformada em renda das famílias. Em outras palavras, a previdência social( assim como as diferentes formas de Assistência Social) é um resultado positivo do desenvol-
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