enormes diferenças dos sistemas para focar nos aspectos mais relevantes e graves de comprometimento financeiro presente e futuro. Embora legislação de 2013 tenha acabado com a aposentadoria integral do servidor público, definindo o mesmo teto dos trabalhadores do sistema privado, a medida vale apenas para os que entrarem no serviço público a partir da data que entrou em vigor. Portanto, a pressão sobre a previdência vai continuar elevada nos próximos 35 anos, na medida em que vai se aposentando uma geração inteira contratada nos anos anteriores. Se não for criado um sistema de transição, nos próximos anos, o déficit da previdência do Regime Próprio deve crescer bastante no futuro próximo.
Crise se agrava no futuro
Se, no presente, a crise da Previdência se manifesta diretamente no Regime Próprio do setor público e na previdência rural, no futuro nenhum segmento estará livre das rachaduras e a salvo da falência. De 2000 a 2015, as despesas com benefícios do Regime Geral da Previdência Social cresceram de 5,4 % para 7,5 % do PIB. O aumento da despesa acompanhou o crescimento do número de benefíciários que saltou de 17,5 milhões, em 2000, para 28,3 milhões, em 2015, crescimento de 3,4 % ao ano, muito acima da média de crescimento da economia( 10,8 milhões a mais de beneficiários).
Este aumento dos beneficiários é uma decorrência direta do envelhecimento da população em ritmo muito superior ao aumento da população apta para o trabalho e, portanto, para a contribuição previdenciária. De 2000 a 2014, a população em idade ativa cresceu 1,49 % ao ano e a população idosa( com 60 anos ou mais) cresceu 3,48 % ao ano( IBGE).
Esta evolução do passado recente deve se acelerar no futuro como resultado do envelhecimento da população que é estrutural, previsível e inarredável. De acordo com projeção do IBGE, nos próximos 35 anos, a população idosa( 60 anos e mais) deve crescer a uma taxa média de 3 % ao ano, praticamente dobrando de 2015 a 2035 – passa de 24 milhões para 48 milhões de pessoas – e chegando a 66 milhões, em 2050, o que representa quase 30 % do total dos brasileiros. Mesmo se for considerado idoso apenas com 65 anos e mais, mais do que dobra de 2015 a 2035, passando de 16 milhões para 35 milhões. O resultado será uma enorme pressão sobre as despesas com os benefícios da previdência social.
O nó da Previdência Social
47