A resposta de Moro parece ter surtido efeito, já que, no dia 15 de fevereiro, a maioria dos ministros do STF votou pela permanência de Eduardo Cunha na cadeia, referendando a decisão de Moro. Houve também a exortação feita pelo ex-presidente do STF, Carlos Ayres Brito, que chamou a Operação Lava-Jato de“ emblemática” e“ irreversível” e avisou:“ Que ninguém se atreva sozinho ou enturmadamente a estancar o curso do amazônico rio da Justiça. Da justa e jurídica tomada penal de contas dos defraudadores da inegociável honra do país”.
E, mais recentemente, uma nova lista elaborada pela Procuradoria Geral da República pede a abertura de dezenas de inquéritos contra figuras políticas do governo passado e da atual gestão federal, além de parlamentares de diversos partidos políticos. No total, Rodrigo Janot pediu que sejam abertos 83 inquéritos no Supremo Tribunal Federal contra autoridades com foro na Corte. Na lista do procurador, há pedidos de investigação contra lideranças do PMDB, PT, PSDB, PSD e DEM.
Entendo que é dever da sociedade sustentar a Lava-Jato. A maior operação de combate à corrupção já deflagrada no país denunciou até agora 260 pessoas envolvidas em crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude ao sistema financeiro e organização criminosa. Em suas 37 fases, foram decretadas 79 prisões preventivas. São cerca de duas prisões por fase. Muitas dessas prisões foram revogadas pela própria Vara Federal de Curitiba, quando constatou não serem mais necessárias.
Os números mostram que as prisões antes da condenação são necessárias para enfrentar o ciclo de corrupção movido por tais organizações. Para isso, basta constatarmos que enquanto o STF julgava o mensalão, as operações do petrolão estavam em pleno vigor, mostrando que corruptos parecem não ter medo da Justiça quando não existe a ameaça de prisão. Por isso, todo o apoio às investigações. O Brasil precisa da Lava-Jato.
O Brasil precisa da Lava-Jato
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