A democracia sob ataque | Page 194

que foi, claro, acompanhado de várias formas de resistência, da luta armada à reorganização da oposição em novos moldes de atuação, destacando-se a atuação do PCB na clandestinidade em torno de uma unidade política das oposições, o que demonstrou ser a opção realmente vitoriosa a partir dos anos 1980.
O que este trabalho de Christopher Dunn demonstra, com uma pesquisa bem cuidada e detalhada, é que na esfera do comportamento e das artes também várias alternativas ocorreram, algumas no âmbito das vanguardas estéticas, no comportamento, até na cultura pop, com grandes sucessos de mercado.
E não é o primeiro trabalho deste pesquisador e professor de cultura e literatura brasileira na Universidade Tulane, em Nova Orleans, que trata da questão. Antes, ele havia escrito Brutalidade Jardim – A Tropicália e as origens da contracultura no Brasil, publicado aqui pela editora da UNESP.
O desbunde – em vários níveis, dos estéticos aos comportamentais – também foi uma forma de resistência ao autoritarismo que deve ser levado em conta. E nestes tempos de Trump, que lembra em sua posse as extravagâncias direitistas de Nixon, o tema tem importância não só histórica, mas também se demonstra extremamente atual.
Sobre a obra: Contracultura – Alternative Arts and Social Transformation in Authoritarian Brazil, de Christopher Dunn. Publisher: The University of North Carolina Press, 342 p.
192 Martin Cezar Feijó