pher Dunn, também aborda a importância da questão racial, como o exemplo do movimento Black Rio, por meio do qual se explica o aparecimento de um artista como Tim Maia que, após tentar uma temporada nos Estados Unidos, desenvolveu um projeto pessoal, inicialmente atrelado à Jovem Guarda a partir da música soul.
Não falta também no livro a questão sexual, do feminismo às orientações sexuais sendo discutidas. Temas, como a homossexualidade, ganham uma dimensão artística que explica a emergência de artistas que adotam um visual andrógino – como Ney Matogrosso, do grupo Secos & Molhados, do grupo Dzi Croquetes e até dos tropicalistas Caetano, Gil, Bethânia e Gal que se apresentam como um grupo intitulado Os Doce Bárbaros, causando até a prisão de Gilberto Gil, em Florianópolis, por porte de maconha – polêmicas, mas também defesas hoje bastante comuns sobre a descriminalização da maconha.
Uma movimentação cultural que marcou um período efervescente em um contexto autoritário, rompendo os limites impostos pelo conservadorismo e pela perseguição do autoritarismo. Um livro que merece ser traduzido pelo que reúne de informações, pelo rigor da pesquisa e por ter apresentado uma necessidade de pesquisas historiográficas alternativas a discursos polarizados que, de forma maniqueísta, dividem o mundo a partir de pressupostos ideológicos.
Mais uma ideia fora do lugar?
Já se disse que as ideias no Brasil chegam sempre fora do lugar, tendo o liberalismo em época de escravidão como o melhor exemplo, porém estudos mais específicos demonstram que, na modernidade, pelo menos no plano das ideias e sua correspondência social, o país sempre esteve antenado com as questões centrais de seu tempo.
Assim se deu com a contracultura que aqui adquiriu cores próprias( e bota cores nisso, como demonstram as várias manifestações tropicalistas) no mesmo contexto em que ela se manifestava no contexto anglo-saxão, acirrada com a posse de Richard Nixon após a eleição em 1968 no governo norte-americano, o que não foi coincidência.
No Brasil, o ano de 1968 foi marcado pelo auge e radicalização das manifestações estudantis, mas também pela decretação do AI-5 em dezembro, que instaurou uma ditadura sem disfarces, o
Desbunde como resistência contracultura
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