Congresso do Partido Comunista da União Soviética( PCUS) promoveram uma grande reorientação em suas políticas. Em relação à estratégia do PC chileno, ao contrário da experiência brasileira, que passou por uma transformação, a manutenção da linha frentista abriu caminho para a Frente Nacional del Pueblo, que se formou nas eleições de 1952. Porém, a partir dessa década, o PCCh passou a defender uma frente liderada pela esquerda chilena, pois havia se sentido traído pelo Partido Radical, após ser posto na ilegalidade, em 1948. Tal unidade de esquerda iria se desenvolver nos anos 1950, transformando-se na Frente de Acción Popular( Frap). Esta experiência significou uma renovação da estratégia da Frente Popular.
No intuito de compreendermos e compararmos profundamente os sentidos destas novas estratégias, estabeleceremos como epicentro da nossa análise dois processos políticos ocorridos em 1958: na experiência do comunismo brasileiro, destacamos os sentidos da“ Declaração de Março” do Partido Comunista do Brasil( PCB), que daria início a uma alteração profunda em sua linha política. No Chile, ressaltamos a organização e participação do PCCh no processo eleitoral da Frap, que por pouco – menos de 30 mil votos – não conquistou as eleições presidenciais. Estas iniciativas e reorientações, que por suas peculiaridades organizacionais e nacionais diferem entre si, podem ser vistas como estratégicas políticas anteriores à Revolução Cubana de 1959, e que teriam sido, de certa forma, deslocadas dos referenciais teóricos e políticos da esquerda latino-americana. Um ano depois, em 1959, vitoriosa em Cuba, a perspectiva nacional anti-imperialista e o método guerrilheiro de realizar a revolução ficariam consagrados, durante décadas, por muitos grupos de esquerda na América Latina, como o único caminho viável para a conquista do poder na região. Diante do predomínio que se estabeleceu a partir da generalização da estratégia guerrilheira inspirada na Revolução Cubana, aquelas reorientações esboçadas em 1958 acabariam sendo mitigadas em qualquer análise histórica do período. Portanto, resgatar essas duas estratégias tem um significado especial na releitura da trajetória das esquerdas latino-americanas.
Depois da travessia turbulenta dos anos 1956-1957, quando novas dissensões e novas ideias marcaram o ambiente político do PCB, o ano de 1958 se iniciou com uma nova estratégia política. Os sinais dessa transformação foram sentidos após os diversos debates expostos pelas alas do Partido, tanto por parte de seu corpo dirigente, quanto pelos chamados“ renovadores”, críticos à
A Revolução Global e as experiências comunistas no Brasil e no Chile
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