De pacífico já tem bem pouco
Silvio Queiroz
O
impeachment da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, acrescentou um ingrediente de instabilida de no panorama já um tanto turbulento da região da Ásia banhada pelo Oceano Pacífico. O julgamento de Park por corrupção tem dinâmica própria, que não se relaciona diretamente com o ambiente conturbado que cerca o país. Mas o desfecho do processo coincide com um momento delicado em parte do globo onde se encontram desafios dos mais peri gosos para uma ordem mundial que mal começa a delinear sua coluna dorsal.
A troca de governo em Washington, com a posse de Donald Trump, é um dos primeiros e mais importantes fatores de incerteza. Não será por mera coincidência que a troca de guarda na Casa Branca se sobrepõe a uma aparente escalada militar do acuado regime comunista norte-coreano.
Desde a vitória eleito ral de Trump, em novembro, o jovem líder de Pyongyang, Kim Jong-Un, aventurou-se em uma sucessão de desafios à comuni dade internacional. Promoveu novos testes de armas nucleares, disparou mísseis cujo alvo ideal – ainda longe do alcance – é o território continental dos Estados Unidos e, ainda na semana passada, si mulou um ataque às bases militares americanas no Japão.
Em um cenário no qual a China começa a lançar ao mar seus primeiros porta-aviões, enquanto a Marinha americana inicia o patrulhamento militar ostensivo de áreas de disputa territorial no Mar do Sul da China, as turbulências em ambas as metades da Península Coreana só fazem ressaltar que o ambiente no Oceano Pacífico parece cada vez distante daquilo que o nome possa sugerir.
A esfinge pergunta
A esse roteiro que evoca filmes de James Bond, soma-se o grau extremo de imprevisibilidade representado pela presença de Donald Trump na Casa Branca, desde janeiro.
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