disso, uma reação. Datada no tempo e condenada apenas ao registro histórico. Nada pode deter a tendência humana dos últimos 50 mil anos, desde a revolução cognitiva, para ampliação das redes de relações sociais entre nós, mesmo no contexto de uma espécie, o homo sapiens, profundamente tribal.
A globalização dos mercados e as novas ferramentas tecnológicas de comunicação entre os humanos já seriam suficientes para concluir, como o professor Yuval Harari, autor de Sapiens, um dos mais importantes livros deste século, que a consolidação da rede global é uma tendência inevitável( ainda que sujeita a poderosos percalços).
Os Estados-nação continuarão importantes, mas já perderam grande parte de sua relevância, o que a sociologia alemã chama de perda de poder do titulo eleitoral: vota-se na Alemanha, mas decidese com o voto muito menos do que 50 anos atrás, por exemplo.
A grande lacuna está na defasagem entre a globalização dos mercados e a globalização dos contrapesos da sociedade civil. Os desafios contemporâneos como as mudanças climáticas, o terrorismo, a ética na manipulação do DNA humano etc exigem governança global( não governo mundial, importante deixar claro).
Passada a reação atual, que une as direitas e esquerdas anacrônicas, a globalização, felizmente, voltará a se acelerar. Um exemplo para pensar? Hoje não é mais possível ser a favor da autodeterminação dos povos e dos direitos humanos fundamentais ao mesmo tempo. Ou um ou outro.
142 Sérgio Besserman Vianna