Uma reação datada
Sérgio Besserman Vianna
A física contemporânea ainda está longe de compreender o tempo. Mas, séculos atrás, Santo Agostinho já disse algo muito interessante sobre o tempo dos humanos:“ Existem três tempos, o tempo presente das coisas passadas, o tempo presente das coisas presentes e o tempo presente das coisas futuras.”
Vivemos no tempo presente, mas ele contém o passado e as memórias, falsas ou verdadeiras, e as expectativas, sonhos e investimentos sobre o futuro.
A eleição de Donald Trump, o Brexit, os autoritarismos na Rússia, China, Turquia e muitos outros, além da ascensão eleitoral da extrema-direita na Europa, levaram muitos analistas a considerarem revertida a tendência acelerada de globalização que vem de 1945 e que se acentuou muito dos anos 1980 até os dias de hoje.
Estão errados. Só estão enxergando o tempo presente das coisas presentes e, pior, projetando simploriamente o que veem para o futuro.
É claro que existe uma onda histórica forte de rejeição aos aspectos frágeis da globalização: as perdas econômicas de segmentos da população dos EUA e da Europa( contrapartida da muito maior ascensão social de centenas de milhões na Ásia e em outras regiões), a excessiva e exasperante burocracia dos órgãos multilaterais etc.
No contexto da Grande Recessão de 2008, essas fragilidades foram suficientes para gerar a reação atual. Mas tratase apenas
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