A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 92

Para a superação da condição de vítima tural” (1975, p. 215-218) é o objetivo de toda a organização, pois é através dela que os oprimidos podem construir, eles próprios, as alternativas à opressão, à vitimização, superando todo tipo de “invasão cultural” e valorizando o aporte que é dado por cada um dos e cada uma das participantes. As vítimas se organizam em comunidades nas quais for- mam uma subjetividade que constitui “projetos históricos con- cretos aos quais se aspira em esperança solidária” (Dussel, 2000, p. 531) sendo que a justiça é a virtude que não permite negociar contra a esperança da vítima. Ou seja, a esperança fortalece a responsabilidade com a vítima e ajuda a não se afastar do com- promisso com a sua libertação. Reyes Mate diz que: “Benjamin converteria [...] as forças desgraçadas em figuras de esperança” (2011, p. 36), dado que elas é que carregam a possibilidade da “redenção”, da libertação, de instaurar um novo tempo desde a “tradição dos vencidos”. É nos oprimidos que se pode encontrar a esperança. As vítimas que morreram “desesperadas” são a fonte que inspira a esperança. O oxímoro “esperança dos desespera- dos” é mais do que uma figura de linguagem; é uma força que paradoxalmente potencializa o sujeito para seguir a luta para que não seja sujeitado, para que possa não mais ser vítima, fazendo de sua ação um processo de organização da esperança e de luta concreta por transformações. A luta é uma dimensão significativamente determinante das condições de reconstrução da subjetividade ética desde a vítima. Isso significa dizer que a subjetividade se constitui como proces- so de enfrentamento engajado à realidade de vitimização no qual a própria vítima se faz agente e, junto com ela, aqueles e aquelas que com ela corresponsavelmente se articulam (Dussel, 2000, p. 530). A luta faz o sujeito sócio-histórico diagnosticar o conflito que marca a realidade da qual faz parte e, ao se propor a enfrentá- -lo, assumir “um lado” deste conflito (2000, p. 560). Ou seja, tem que assumir uma posição (de proto-agon = protagonista ou de anti-agon = antagonista). A luta exige enfrentamento, que requer posição e movimento, portanto, demanda lançar mão de uma racionalidade estratégico-instrumental crítica que vai posicio- 91 de 244