A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Seite 70

O reconhecimento seria suficiente para pensarmos os direitos humanos ? Os países subjugados ao processo de colonização (ainda em vigor) sofreram na pele o que isto significou. Os chamados bár- baros, selvagens africanos e latino-americanos nem sequer eram reconhecidos como humanos. Como comenta Bartolomé de Las Casas: Aqueles que foram de Espanha para estes países (e se tem na conta de cristãos) usaram de duas maneiras gerais e principais para extir- par da face da terra aquelas míseras nações. Uma foi a guerra injusta, cruel, tirânica e sangrenta. Outra, foi matar todos aqueles que po- diam ainda respirar ou suspirar e pensar em recobrar a liberdade [...]. A estas duas espécies de tirania diabólica podem ser reduzidas e le- vadas, como subalternas do mesmo gênero, todas as outras inume- ráveis e infinitas maneiras que se adotam para extirpar estas gentes. (2011, p. 29). No século XX vivemos, por exemplo, novos processos de co- lonização com a invenção da ideia de subdesenvolvimento. Fez-se necessário criar condições para que países, com a ajuda “bene- volente” dos Estados Unidos, chegassem a uma condição de de- senvolvimento. Lembrando aqui que a compreensão de desen- volvimento tomava como modelo o projeto vivido pelos Estados Unidos e pela Europa. O que significaria, então, pensar o reconhe- cimento desde uma realidade de colonização violenta tatuada na pele de nuestra America? Raul Fornet-Betancourt: o reconhecimento desde a América Latina Raul Fornet-Betacourt, filósofo cubano, tem uma trajetória intelectual e de vida que perpassa vários momentos. Influencia- do, inicialmente pela filosofia europeia, através do pensamento de Sartre, Foucault, Lévinas, Fornet-Betancourt, analisa o que há de crítico dentro deste pensamento e como a própria Europa 69 de 244