A crise não parece ter fim PD48 | Seite 57

Novo bloco possível na atual conjuntura Moacir Longo G raças à intervenção autônoma da sociedade civil iniciada com as manifestações de rua de junho de 2013, continua- das em março/abril de 2015 e de dimensões gigantescas no dia 13 de março de 2016, tivemos o afastamento de Dilma Roussef da Presidência da República, processo concluído pelo Congresso Nacional, nos termos da Constituição, seguido da massacrante derrota do lulopetismo nas eleições municipais de outubro. As manifestações populares adquiriram dimensões nunca vistas em nossa história sem que houvesse um ou mais partidos políti- cos na liderança ou qualquer tipo de liderança caudilhesca que, em muitas situações de crises econômicas e sociais, costuma aparecer no cenário político como salvador. As ações de grandes massas que presenciamos logo após a posse da presidente petista eleita em 2014, à base de uma campa- nha suja, fantasiosa, cheia de promessas e de mentiras, explodi- ram inicialmente com um panelaço, quando Dilma foi à TV para falar sobre o Dia Internacional da Mulher. A partir dali ficou claro que a impostura apregoada estava chegando ao fim. As ilusões vendidas ao povo, e compradas pela mídia e amplos setores de formadores de opinião, como um sistema de poder de esquerda que acabaria com a pobreza no Brasil, não passava de propaganda enganosa. Para milhões de brasileiros de todas as classes sociais, na verdade aquele sistema de poder nada tinha de esquerda, ele apenas escondia um sistema de assalto ao Estado e suas empresas estatais para, com os recursos rouba- dos, comprar apoio de aliados representativos das oligarquias que atuam em beneficio de grandes grupos econômicos e também para enriquecimento próprio. De modo que, ao fim de 13 anos, um certo partido de número 13 começou a cair em um dia 13 de um mês 3, repudiado por milhões de pessoas que se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo; na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro; nas ruas e praças de Brasília, de Belo Horizonte, de Recife, de Salvador, de Porto Alegre, de Curitiba e de mais de 330 cidades de todo o Brasil, exigindo o fim da incompetência, da roubalheira, das mentiras, da recessão 55