las” para mudança de partido, a primeira em 2016, para as eleições
municipais, e a segunda entre março e abril de 2018. Uma nova
janela de 30 dias será aberta em agosto.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é um dos artí-
fices da reforma. Transformado em alternativa de poder em razão
das denúncias contra o presidente Michel Temer, Maia articula forte-
mente para que dissidentes governistas do PSB, partido que resolveu
passar à oposição, engrossem as fileiras de sua legenda. A movimen-
tação gerou tensão no Palácio do Planalto e provocou reações do
presidente Temer, que também resolveu participar do leilão com os
meios de que dispõe: verbas e cargos governamentais. Na bolsa do
Congresso, cada novo deputado valerá R$ 2,4 milhões na campanha
eleitoral de 2018, um senador, R$ 6,7 milhões. Tudo isso com recur-
sos públicos, para barrar a possibilidade de renovação da política e
perpetuar o controle dos partidos pelos enrolados na Lava-Jato.
A porta de saída da crise ética está sendo trancada.
(Correio Braziliense, 22/07/2017)
A conta do desajuste
A política de conciliação continua vivíssima. Tornou-se, mais
uma vez, a tábua de salvação do velho patrimonialismo. Estão
aí o clientelismo com gastos públicos e as articulações contra
a Lava-Jato
Não existe política de conciliação no Brasil sem uma grande
dose de patrimonialismo, que é a marca registrada das práticas
políticas que não distinguem os limites do público e do privado.
O patrimonialismo surgiu com a decadência do Império Romano,
por influência dos bárbaros germânicos, quando os governantes
começaram a se apropriar privadamente dos antigos bens da
República. Tornou-se uma característica do absolutismo e, assim,
chegou ao Brasil, com a concessão de títulos, sesmarias e poderes
quase absolutos aos senhores de terra pela Coroa portuguesa.
No clássico Coronelismo: enxada e voto, Vitor Nunes Leal
descreve como o patrimonialismo sobreviveu ao Império e chegou
à República Velha. Em troca dos votos dos coronéis fazendeiros, o
Estado brasileiro homologou seus poderes formais e informais.
Em contrapartida, os senhores de terra foram se adaptando aos
novos tempos políticos, entregando os anéis para não perderem os
dedos. Isso não seria possível sem a velha política de conciliação
do Império, inaugurada no gabinete do Marquês de Paraná.
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Luiz Carlos Azedo