A crise não parece ter fim PD48 | Página 107

Reflexões sobre a água
José Roberto Guedes de Oliveira

Muito embora sejamos um país onde a água se concentra em grande volume, observamos que esta água não é perfeitamente distribuída, existindo regiões secas e úmidas. Basta-nos olhar o nosso mapa, para verificarmos que distoa a região nordestina das demais, capaz de provocar uma enorme interrogação.

Mas o problema da água, como um todo, se verifica também pelo exagero de consumo, pela sua degradação constante, pela sua contaminação e pela ocupação do espaço físico pelo homem. Não são raros os casos em que todos estes problemas se verificam cumulativamente e, em maior proporção, nas regiões úmidas.
O ideal seria que, num raciocínio lógico, o homem ponderasse realmente sobre os vários aspectos da água, como elemento vital para a sua sobrevivência. Tal raciocínio, entretanto, não se completa, já que as nossas reservas são sistematicamente degradadas pela ação devastadora da posse terrena – este instrumento avassalador que não mede consequências: expansão imobiliária, propriedades em constantes focos de queimas, o lixo, as partículas químicas e os detritos orgânicos lançados nas correntes de água.
Então, não há como cruzar os braços, deixando tudo isto ocorrer, sem uma ação conjunta, eficaz e pronta, coibindo estes abusos e, de forma ordeira, partir para a cobrança do uso da água.
Mas a cobrança do uso da água não é um instrumento inibitório de tão somente punir. Em absoluto. A cobrança é, na sua essência, uma forma de beneficiar as bacias, com estes recursos distribuídos para a sua perfeição, ou seja, para a implementação de projetos de toda ordem, cujo objetivo primordial é a defesa das águas.
Com a criação da Agência Nacional de Águas( ANA), houve, na verdade, uma revolução no meio e, a partir de então, iniciou-se uma nova fase, já que o mundo de hoje briga pelas águas: são mais de 60 países com problemas seríssimos de escassez de água. Nós, aqui no Brasil, observamos tudo isto, imaginando que o nosso potencial extraordinário não pode se extinguir. Ledo
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